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COLUNA TEATRO  
Marcelo Aouila marcelo@aouila.com.br
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O tema é recorrente, mas a atualidade permite: crise afeta a todos de alguma maneira. Na área cultural, projetos foram adiados, verbas reduzidas, espetáculos cancelados, tournées encerradas. Todos estamos apertando os cintos para continuarmos na função de levar cultura e diversão à população.

“Temos que deixar de ser financiados pelos governos e nos ampararmos no público, nos tornarmos auto-sustentáveis”. Esta é a visão ideal, que nos impulsiona a seguir adiante. Como fazer? Levar público ao teatro, ao cinema, aos shows, aumentar as vendas de ingressos, livros, discos e derivados. Mas, se o povo está sem dinheiro, como resolver esta equação? Eis o mistério da fé... Eu acredito e tenho fé na nossa arte, na cultura, com meio transformador da sociedade. Então, se queremos uma sociedade nova, educada, culta, temos que ser criativos e começar agora.

Falando nisso, dois amigos amargurados por mais de um ano sem emprego, e tentando buscar alternativas, estão se lamentando quando dão de cara com uma possibilidade um tanto quanto obscena e abusada: se existe mercado para ver homens sarados e fortes, semi-pelados, dançando para mulheres, por que não fazer uma versão com homens “de verdade”, acima do peso, calvos, idade avançada, trabalhadores comuns? É desta ideia que Jarry, personagem principal, convence o amigo Dave, a reunir mais 4 pessoas para fazerem um número de streep teasse. E assim, juntam-se a eles mais dois trabalhadores da fábrica onde, no passado, ganhavam suas vidas. Depois decidem “abrir teste” para as duas últimas vagas do grupo de 6, e surgem um rapaz baixo, porém bem dotado, e um que atende pela alcunha de Jegue... bem... já podem imaginar o motivo. Com o sexteto formado, hora de ensaiar o show, divulgar e apresentar, mas com uma condição: ou tiram toda a roupa, ou nada feito. Isto é, “Ou Tudo, Ou Nada”.

Esta é uma simples sinopse da peça “Ou Tudo, Ou Nada”, em cartaz no Teatro Net Rio, versão para o teatro musical do filme inglês “The Full Monty”. A adaptação do texto e das letras das músicas é de Artur Xexéo, que tem sempre um bom olhar brasileiro nos seus trabalhos de dramaturgia para teatro, como em “Nós sempre teremos Paris”, seu musical mais aplaudido.

A montagem brasileira tem idealização e direção de Tadeu Aguiar. Cada vez mais craque, Tadeu tem, neste espetáculo, um de seus melhores trabalhos de direção. Sua forma de conduzir a história, com calma, deixando os acontecimentos e os atores falarem por si, contrasta positivamente com a marcação rígida e ritmada, não só do elenco, mas do cenário também (assinado por Edward Monteiro). Aliás um belo cenário de uma fábrica, com portas de correr, escadas de ferro, mezanino (onde ficam os músicos). Gosto muito dos biombos com rodízios que trazem janelas e portas para o palco, criando pequenos ambientes, rápidos de serem montados, com destaque para o banheiro da boate.

Tadeu apresenta um espetáculo ao mesmo tempo leve, divertido, competente, tecnicamente impecável, de alta qualidade, entre outros adjetivos positivos. Ótima a cena do velório, com uma projeção de cemitério sobre o cenário da fábrica (uma beleza!) acrescido de um número musical emocionante – direção musical assinada por Miguel Briamonte que também está ao piano com Daniel Sanches. Os músicos são Josias Franco, Ricardo Hulck, Marco Moreira nos sopros, Marcelo Rezende na guitarra, Leandro Vasques no baixo e Tiago Calderano na bateria. Aplausos também para o figurino de (sempre competente dupla) Ney Madeira e Dani Vidal, a luz de David Bosboom e a coreografia de Alan Rezende.

No elenco, Mouhamed Harfouch, Claudio Mendes, André Dias, Victor Maia, Carlos Arruza e Sérgio Menezes são os “homens normais” que se reúnem para tentar salvar suas contas bancárias através do número para mulheres. Mouhamed é o protagonista e encara de frente o desafio, sem titubear. Cláudio Mendes, Victor Maia e André Dias, são os responsáveis pelos momentos mais divertidos da peça. André, além de bom ator, é o cantor mais marcante. O garoto Xande Valois tem ótimos momentos. Patrícia França e Kacau Gomes são sempre competentes e cantam bem. Mas é Sylvia Massari que, quando entra, muda a regra do jogo... ops... isto é coisa de novela... Sylvia canta, dança, representa, faz graça e se empresta para um personagem divertido e cativante! Completam o elenco, Samantha Caracante, Carol Futuro, Sara Marques, Larissa Landin, Fabio Bianchini, Felipe Niemeyer e Gabriel Peregrino. Ufa!

É desta garra, criatividade, competência, força-tarefa e entrega de toda a equipe, que o teatro (e quem sabe nosso país?) precisa para dar a volta por cima neste momento de Lei Seca Econômica. Não tenho a menor dúvida de que esta temporada, com produção de Eduardo Bakr, será um sucesso e que, com este espetáculo estamos dando um novo passo na cena teatral carioca, onde a sustentabilidade vai fazer as pazes com a plateia. Por um mundo onde os espetáculos sejam, novamente, de terça a domingo! Viva o teatro, vida “Ou Tudo, Ou Nada”!
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