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COLUNA TEATRO  
Marcelo Aouila marcelo@aouila.com.br
Faz pouco tempo os musicais biográficos tomaram os palcos brasileiros. Estamos falando de Tim Maia, Cassia Eller, Cazuza, Clara Nunes, Clementina de Jesus, Wilson Simonal, Candeia, Aguinaldo Rayol, Rita Lee, Elizeth Cardoso, Gonzagão e Gonzaguinha, Frank Sinatra, Beth Carvalho... Com raras exceções, a fórmula tem sido a mesa: narrativa, sem uma dramaturgia inovadora. Poucos são os espetáculos que escolhem uma passagem na vida de um desses cantores, com uma história forte, para virar teatro, com dramaturgia e carpintaria teatral, e, aí sim, se aproveitar disto para mostrar o poder da música nestes personagens.

Longe de mim fazer alguma crítica. Louco seria se não louvasse esta forma de apresentar ao público importantes nomes da música.

Nesta temporada, dois nomes estão sendo homenageados: Billie Holiday (no Teatro Carlos Gomes) e Ataulfo Alves (no Teatro Dulcina). As semelhanças entre eles são grandes. A começar pela forma de se contar as histórias. Em Billie, a assinatura do texto é de Jau Sant’Angelo e Ticiana Studart, dando ênfase a narrativas diretas para a plateia, tanto através da própria Billie quanto nos principais personagens da sua vida: maridos, empresários e pais. Já em Ataulfo, quem assina o texto é Enéas Carlos Pereira e Edu Salemi, e o texto tem a narrativa em pequenos diálogos e na forma professoral, contada pelo fã- garçom.

rioecultura Coluna TEATRO: Billie Holiday e Ataulfo Alves

rioecultura Coluna TEATRO: Billie Holiday e Ataulfo Alves

A direção de Billie, assinada por Ticiana Studart, é elegante, sem muitas firulas no palco, valorizando números musicais e as pequenas cenas, concentradas num camarim e num balcão de bar. Já em Ataulfo, também positiva, Antônio Pilar valoriza as cenas na mesa e no bar, com toques de humor e muita malandragem carioca.

A cenografia: em Billie Holiday, a assinatura é de Aurora dos Campos, dividindo bem os espaços de camarim, bar, palco de músicos e o microfone na boca de cena. Com cores bem marcantes, os ambientes são bonitos e tudo poderá ser adaptado para qualquer palco. Já em Ataulfo Alves, Dóris Rollemberg criou painéis atemporais, que tanto podem ser azulejos de bar, quanto cobogós, bastante típicos para a época. No figurino, em Billie, Marcelo Marques acerta nos ternos dos músicos, nas belas reconstruções das roupas de Billie Holiday que vamos em vídeos, e para os demais personagens segue à risca a moda da época em que Billie foi diva. Em Ataulfo, a assinatura é de Hellena Affonso, deixando claro que Ataulfo Alves era impecável em seu modo de vestir, e mostrando a descontração carioca de todos os tempos nos demais personagens. Em Billie, a luz de Paulo Cesar Medeiros é linda, voltada para os números musicais. E em Ataulfo, Daniela Sanches assina uma luz voltada mais para todo o palco, com pequenos momentos de foco.

Tanto em Billie Holiday quanto em Ataulfo Alves, as direções musicais assinadas respectivamente pelos craques Marcelo Alonso Neves e Alexandre Elias propõem belos arranjos e execuções de bom gosto pelos músicos em cena.

Em Billie, Vilma Melo atua como mãe e camareira. Milton Filho interpreta todos os papéis masculinos. Os dois mostram competência na defesa de seus papéis. Em Ataulfo, o numeroso elenco tem o desafio de dar vida aos principais personagens da Época de Ouro do Rádio, além do fã-garçom e da esposa Judith. São eles: Alexandre Vollú, Dani Stenzel, Édio Nunes, Luciana Balby, Marcelo Capobianço, Marcelo Gonçalves, Marco Bravo, Patrícia Costa e Shirlene Paixão.

rioecultura Coluna TEATRO: Billie Holiday e Ataulfo Alves

rioecultura Coluna TEATRO: Billie Holiday e Ataulfo Alves

Porém são os protagonistas que merecem todo o nosso aplauso. Em Billie Holiday, Lilian Valeska mostra todo o seu poder vocal, sua competência como cantora. Seus números musicais são uma beleza, aplaudidos com ênfase pelo público. Sem falar na capacidade de seguir à risca a forma de Billi cantar. Em Ataulfo Alves, Wladimir Pinheiro nos encanta com seu vozeirão, emocionando o público com a sua garra ao defender este papel. Wladimir tem a seu favor ser um músico de primeira, o que o permite brincar com sua voz e, mais que imitar Ataulfo Alves, reinventar as canções do “bom crioulo”, como o Ataulfo era conhecido.

Duas grandes vozes do teatro brasileiro estão vivendo dois grandes nomes da música, em dois espetáculos que merecem aplauso por oferecerem ao público a oportunidade de conhecer um pouco mais sobre vida e a obra de cada um dos homenageados (Billie Holiday e Ataulfo Alves) e por empregarem numerosas equipes neste momento delicado da economia brasileira.

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