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COLUNA TEATRO  
Marcelo Aouila marcelo@aouila.com.br
rioecultura Coluna TEATRO: BR TRANS

Quando Rose Bom Bom apareceu na capa da Revista O Globo, num domingo, foi, pra mim, o marco do reconhecimento da arte de um transformista. Rose fez escola. Poderia citar vários artistas. Terça Insana, grupo de comediantes, incluiu no seu elenco Silvetty Montilla e, sem dúvida, uma das atrações mais divertidas de todas as temporadas. O reconhecimento dos artistas que se travestem de mulher ou de homem como arte está mais do que na hora ser levado a sério. Rogéria aparece nas novelas regularmente. Jane de Castro está em cartaz num grande teatro carioca! Até mesmo um profissão repórter dedicou uma reportagem ao universo transexual. “Tá pensando que travesti é bagunça? Não é bagunça não.”

A alegria que um travesti, transexual, transformista apresenta quando está montado é totalmente diferente de sua luta diária por direitos iguais. Partindo do princípio de que somos todos iguais perante a lei, que se faça cumprir a constituição e que todos os direitos LGBTs sejam reconhecidos.

BR TRANS estreou esta semana no Teatro III do CCBB. Resultado de pesquisa, via edital do Ministério da Cultura, o espetáculo apresenta passagens reais sobre violência, exclusão, coletados no Ceará e no Rio Grande do Sul.

rioecultura Coluna TEATRO: BR TRANS

A dramaturgia, de Silvero Pereira é composta de histórias, como da transexual que é demitida, por ser o que é, e tem que mergulhar na prostituição para sobreviver; daquela que tem que ser chamada pelo seu nome de batismo em casa, pois a família não permite seu nome desejado; da outra que sustenta um garoto mais jovem; a noite de estreia de uma outra nos palcos da vida; e outras que estão no texto da peça. Um texto bastante realista que traz à tona histórias tristes, tratadas com respeito. Diferentemente de programas de tv sensacionalistas, que tratam desgraça com humor negro. Quem conhece Vanessão, sabe o que estou dizendo. Cata no youtube pra você ver. A costura entre as cenas do texto é a narração do ator sobe como aconteceram as experiências durante o processo de pesquisa. Sábia costura.

A cenografia, assinada por Silvero Pereira e Marcos Kung, facilita a movimentação cênica. No palco, estão apenas elementos necessários para ilustrar a história, lugar onde todos os personagens habitam. Ali tem camarim, mesa, banco, biombo, tecidos, presentes. O figurino excelente, assinado também por Silvero, tem uma cueca na cor da pele, que nos mostra o artista nu diante da plateia, sem estar pelado. As roupas dos números musicais são ótimas e também a roupa em que Silvero “se veste de homem”. A luz é realmente inovadora. Assinada por Lucca Simas, refletores em pedestal no palco, abajur e ribalta são acendidos e apagados por SIlvero, e transformam a cena a cada momento, fugindo do tradicional. Inteligente e criativo. Destaque também para a projeção de Ivan Ribeiro. Rodrigo Apolinário é o músico pianista que executa otimamente não só a trilha sonora criada por ele próprio, mas a canções conhecidas que os personagens interpretam. Em cena, Silvero Pereira dá vida a vários transexuais, transformistas, travestis, como queiram chamar. É bastante humana a sua interpretação e narração das histórias. Seus gestos, comportamento em cena, fôlego e dedicação são invejáveis. É uma coragem sem tamanho atuar neste espetáculo, jogando-se, sem rede de proteção, nas emoções fortes que a vida das transexuais retratadas. Um trabalho impecável de atuação, corpo e voz. Sem dúvida irá receber vários prêmios. Aplausos de pé.

rioecultura Coluna TEATRO: BR TRANS

Dirigindo o espetáculo, a gaúcha Jezebel De Carli. Uma das melhores direções deste ano  no Rio de Janeiro, sem dúvida. Com temas fortes e reais sendo mostrado, Jezebel não foge da tarefa. Mostra com respeito as tragédias e alivia com pitadas de comédia. Teatro da melhor qualidade. Destaco a cena do “abacaxi”, quando Silvero descasca a fruta ao contar a história e usa o abacaxi como marionete, e a cena em que se utiliza do case de guardar refletores como quadro negro, são imbatíveis. Sensacional a quantidade de alternativas cênicas propostas por Jezebel ao espetáculo. Seu casamento com Silvero é impecável. A dedicação e entrega mútua estão ali, na nossa frente, durante todo o espetáculo. Prêmio já para ela!

Poucas vezes no teatro carioca pude presenciar tamanha comoção da plateia no final de uma récita. Os aplausos, de pé, duraram longos minutos. Não queríamos parar de aplaudir. Emocionados, gritamos BRAVO! e agradecemos com palmas por nos trazer este necessário, corajoso e realista trabalho de pesquisa. BR TRANS é daqueles espetáculos únicos, que nos marcam por muitos anos e que viram referência quando o assunto é pesquisa, dedicação, interpretação e direção. Deixe seu preconceito de lado e vá ao CCBB, Teatro III, assistir a BR TRANS. Você sairá renovado e, certamente, irá olhar para os artistas da transformação com outros olhos, reconhecendo-os pela sua arte de viver e de representar. VIVA! BRAVO!

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