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COLUNA TEATRO  
Marcelo Aouila marcelo@aouila.com.br
rioecultura Coluna TEATRO: VANYA E SONIA E MASHA E SPIKE

Vou ao teatro regularmente duas ou três vezes por semana, o que me permitiu assistir aos mais variados gêneros e aprender, por osmose, sobre autores, diretores, apreciar cenários, luz e figurinos de espetáculos de teatro. Assisti O Jardim das Cerejeiras com Tônia Carreiro, e Tio Vânia, no Parque Lage, encenada dentro da piscina, com Diogo Vilela, Debora Bloch e Rogério Fróes. Também vi Tio Vânia pelo Grupo Galpão – sou fã de carteira assinada deles – e A Gaivota com a Companhia dos Atores, no Teatro Poeira.

Recém estreado no Teatro dos Quatro, a peça Vanya e Sonia e Masha e Spike, comédia de maior sucesso na Broadway em 2013, vencedor do Tony Awards de melhor peça produzida pelo Lincoln Center em NY (dados núcleo de artes cênicas da Faap). A comédia traz referências claras às obras do dramaturgo russo Anton Tchecov: O Jardim das Cerejeiras, Tio Vania, As Três Irmãs e A Gaivota. É divertidíssimo descobrir as referências das peças de Tchecov neste texto atual de Christopher Durang, brilhantemente traduzido por Bianca Tadini e Luciano Andrey. Nossas referências brasileiras são mais bem vistas na personagem da diarista, porém o comportamento de alguns jovens viciados em smartphones e no deslumbre com atores famosos está lá presente, em qualquer lugar do mundo.

Na peça, a chegada de a irmã, atriz famosa, acende para os dois irmãos que habitam a casa antiga da família, conflitos engolidos durante muito tempo. Com muito humor e diálogos verdadeiros, a presença do namorado mais novo da atriz famosa e uma festa a fantasia na vizinhança servem para animar o dia tedioso daquele lar. A vidente empregada e a ninfeta vizinha acrescentam humor, cumplicidade, ciúme, inveja e luxúria ao clima de campo. A irmã famosa deseja vender a casa para diminuir as despesas e a trama caminha com tanta leveza e carisma, que ficamos sem saber de que lado estamos, pra quem torcer para o final feliz.

rioecultura Coluna TEATRO: VANYA E SONIA E MASHA E SPIKE
foto: João Caldas

rioecultura Coluna TEATRO: VANYA E SONIA E MASHA E SPIKE

O belíssimo cenário de Attílio Baschera e Gregorio Kramer – um dos mais bonitos da temporada 2015 - é uma varanda que dá vista para o lago, numa cidade do interior. Cheio de flores, é uma pena que tenha sido cortado, uma vez que a altura do palco do teatro carioca não permite incluir o segundo andar que havia no cenário da temporada paulista. O figurino de Theodoro Chocrane é ótimo. A elegancia da atriz famosa, as fantasias da festa, os pijamas e o colorido do garotão estão em harmonia com as personalidades dos personagens e vestem bem o elenco. A luz de Ney Bonfante capricha nas passagens das horas, e dias, valorizando o colorido da história. A trilha sonora de Fernando Fortes é perfeita: passarinhos ao amanhecer, músicas durante passagens de tempo e nos momentos solo da diarista, fazem toda a diferença para que possamos estar dentro da tama.

No elenco, Teca Pereira, como Cassandra, interpreta uma hilária diarista-vidente, sendo responsável pelas gargalhadas do público. Patrícia Gaspar, a irmã Sônia, adotada, cheia de questões sobre “o que fiz da minha vida até agora e como vou seguir neste marasmo total”, nos faz ficar com vontade de abraça-la. Seu melhor momento é a cena ao telefone após a festa a fantasia. Marília Gabriela é Masha, a irmã-famosa que, na sua chegada, se apresenta cheia de nariz empinado e humilhação aos irmãos, mas que muda com o passar da história. A mudança de seu comportamento é muito bem realizada por Marília Gabriela. Sem falar que “Gabi” é linda, alta e talentosa! Elias Andreato, Vanya, é um show. Desde sua entrada em cena ao último suspiro, o foco da plateia é imediatamente chamado para ele ao começar a falar. O desabafo de Vanya, na segunda parte da história, é aplaudido por longos momentos. Bruno Narchi é Spike, o garotão-valete da atriz famosa, que explora seu corpo para deixar todos à sua volta envolvidos por sua beleza. Spike é típico ator-modelo-cabeça-vazia, provoca os demais personagens e flerta sem pudores. Não menos importante, Juliana Boller é Nina, ninfeta vizinha que se apaixona mais pelos textos teatrais de Vanya do que pela beleza física de Spike. Um elenco bastante afiado e talentoso. Aplausos efusivos.

rioecultura Coluna TEATRO: VANYA E SONIA E MASHA E SPIKE

Comandando tudo, Jorge Takla, um mestre em todos os sentidos, na direção de espetáculos de sucesso. É sempre um prazer ver seus trabalhos no palco. Diretor minucioso, diretor de ator e de cena, se preocupa tanto com a importância de um simples telefonema quando na ocupação de todo o palco, e cenário, para que se tenha um espetáculo de excelente qualidade para o público.

Saí do teatro com a certeza de que ter assistido a várias peças ao longo destes anos não foi em vão. Com Vanya e Sonia e Masha e Spike tive o prazer de reconhecer trechos, personagens, histórias e comportamentos de outras peças de Tchecov.

A peça é fantástica: humor de primeiríssima qualidade, texto inteligente, diálogos possíveis, elenco coeso, ótimas interpretações, direção, cenário, figurino, trilha e iluminação que qualquer prêmio de teatro ficará feliz em oferecer para esta produção. Um momento único e feliz no teatro carioca. Não percam. Espetáculo obrigatório.
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