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COLUNA TEATRO  
Marcelo Aouila marcelo@aouila.com.br
A onda de musicais biográficos que lotam os teatros brasileiros é a melhor novidade dos últimos anos na cena teatral. Nomes como Tim Maia, Elis, Rita Lee, Cazuza, Chacrinha, e futuramente Beth Carvalho, estão se tornando programa obrigatório de uma classe que até bem pouco tempo não frequentava o teatro. Ouso dizer que surgiu um novo gênero no teatro brasileiro: o Teatro Musical de Entretenimento.

Penso positivamente neste novo gênero. Primeiro, e o mais importante, apresentar a quem não conhece, a história de um artista brasileiro. Segundo, levar ao teatro a “nova classe C”, que até bem pouco tempo considerava teatro supérfluo. Terceiro, abrir nova frentes de trabalho para profissionais do teatro.

rioecultura Coluna TEATRO: a história de Wilson Simonal

Pelo lado econômico, estamos vendo empresários de entretenimento investindo em espetáculos teatrais. Pelo lado do público, a plateia pouco está se importando se o texto é dramaturgicamente bom, correto, ou de acordo “com as normas técnicas de se produzir um musical”. Somando “o que vale é a diversão” da plateia com o lucro do patrocínio e da bilheteria dos empresários, temos o casamento perfeito. Que venham outros.

Está no Teatro Carlos Gomes a ótima homenagem ao cantor Wilson Simonal. O Musical de Entretenimento “S’imbora, o Musical – a história de Wilson Simonal” tem texto de Nelson Motta e Patrícia Andrade, dupla que nos deu o texto da peça Tim Maia. A história começa já com Simonal adulto, em depoimento numa delegacia sobre o sumiço de seu contador. Pausa nesta história e seguimos para o início da carreira do cantor. Nada nos é dito sobre sua infância, de onde veio, como começou a cantar, suas referências musicais. Tudo bem, isto não é um Globo Reporter. Sigamos sobre a carreira musical do cantor. A carreira artística de Simonal é a história a ser contada, desde sua primeira apresentação no programa de Carlos Imperial, passando pelo Simonal que se tornou showman lotando o Maracanã até chegar à desconfiança em cima das supostas “delações premiadas” (para usar um termo atual) de colegas artistas. Fica claro que não houve delação alguma, apenas um depoimento assinado, sem ler, e que um grupo interpretou da forma que quis, espalhou e destruiu a carreira do cantor.

No palco, o cenário de Helio Eichbauer está preparado para números musicais e não para pequenos ambientes. Não temos uma ambientação de casas, mas pequenos móveis que servem para contar a história. O figurino de Marília Carneiro é ótimo! Colorido, leve, totalmente de acordo com a época. Destaque para as 3 cantoras que acompanham o tempo todo Carlos Imperial e fazem coro para Simonal e as cópias fiéis das roupas de Simonal. A luz de Tomar Ribas é muito boa, acertando nos momentos de tensão e alegria. A direção de movimento e coreografia de Renato Vieira é positiva e auxilia o diretor na história.

Ótima a direção musical de Max de Castro (filho de peixe...), que não poderia ser melhor escolhido para a tarefa, com parceria nos arranjos de Alexandre Elias. Aplausos para os músicos.

rioecultura Coluna TEATRO: a história de Wilson Simonal

rioecultura Coluna TEATRO: a história de Wilson Simonal

O elenco numeroso tem o mérito de ser experiente e com bagagem. Thelmo Fernandes faz um Carlos Imperial bastante extrovertido. Gabriela Carneiro da Cunha faz muito bem Tereza, mulher de Simonal, com quem teve dois filhos. Seus monólogos direcionados para a plateia são excelentes. Destaco ainda o trio de “Supremes” – Imperialetes – formado por Cassia Raquel (que interpreta Sara Vaughan divinamente) Ariane Souza, cuja presença no palco é ótima e faz um número de plateia delicioso, e Lívia Guerra, tão talentosa e importante quanto as duas já citadas. Compondo o elenco numeroso de cantores e atores, Marino Rocha (ótimo Jô Soares), Kadu Veiga, Kotoe Karasawa (linda voz e afinação), Paulo Trajano, Marina Palha, Jorge Neto (muito bom em Simoninha), Victor Maia, Dennis Pinheiro, Gabriel Stauffer e Natasha Jascalevich. No dia que assisti, Jg D’Aleluia interpretou Simonal criança e Simoninha.

Pedro Brício é o diretor. Conduzir esta história não é tarefa fácil e Pedro consegue um resultado ótimo. Temos vistos atores “incorporando” os homenageados nos outros musicais de entretenimento, mas aqui, a opção por ser uma interpretação em vez de “incorporação” é totalmente acertada. E é este o diferencial deste musical. O trabalho do ator, especificamente do protagonista, veio em primeiro lugar. Destaco a cena das Imperialetes falando ao telefone com Simonal (alias, se pudesse sugerir algo, seria isto: use-as mais! Elas poderiam contar esta história!). A linda cena do Simonal dirigindo na praia de Copacabana e o brilhante número musical em que Simonal interpreta a mesma música ora no programa Fino da Bossa, ora no programa da Jovem Guarda.

rioecultura Coluna TEATRO: a história de Wilson Simonal

Ícaro Silva nos oferece Wilson Simonal, numa intepretação-homenagem, sem a necessidade de ser exatamente Simonal. Ícaro além de ser ótimo cantor, é, acima de tudo, ótimo ator. Seu trabalho é digno de aplausos pela coragem de viver Simonal sem a necessidade de “receber um santo”. Nas cenas em que tem que se desdobrar entre Elis e Roberto Carlos, quando ensina o jovem cantor mineiro a ser um carioca e na brilhante cena de Simonal bêbado e derrotado, está ali o grande ator que Ícaro é. Acompanho sua carreira e, desde que nos mostrou a sua forma de ser Jair Rodrigues em outro musical, sabia que viria um bom resultado em Simonal. Ícaro não decepciona. Está à altura do talento do homenageado.

Ufa! Quanta coisa escrita. Se você chegou até aqui, s’imbora já pro teatro assistir a este musical em homenagem ao esquecido Wilson Simonal. Justiça seja feita e que ele receba todo nosso aplauso. Viva a Planmusic, viva toda equipe e viva Simonal!
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