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COLUNA TEATRO  
Marcelo Aouila marcelo@aouila.com.br
rioecultura Coluna TEATRO OLHEIROS DO TRÁFICO cartaz

As UPPs estão aí, vieram para ficar. A pacificação das comunidades precisa, ainda, de uma ação social governamental. Não adianta substituir uma ditadura, por outra. Uma milícia, um trafico, por uma polícia que impõe toque de recolher nas favelas, ameaça moradores e atira a esmo. Realmente temos boas notícias das UPPs. Aqui, em Botafogo, faz um tempo que não se ouve tiroteios na madrugada. Se existe tráfico, ou se acabou, não sei responder, mas sei que a segurança no morro, melhorou. Mas, nas ruas... Se lá em cima não tem trabalho, os aviões e olheiros do tráfico vão viver de que? Assaltar no asfalto, claro. Era questão de tempo para isso acontecer.

Li no Ancelmo Góis que, os olheiros, agora não usam mais Nextel, nem muito menos rojões para avisar que a polícia está subindo no morro para procurar drogas, prender traficantes, ou pegar seu quinhão de propina. Eles usam as mensagens de whatsapp...

Está em cartaz na Casa da Gávea o espetáculo “Olheiros do Tráfico”, escrito e dirigido por Moisés Bittencourt. Dois meninos, conforme o nome da peça já diz, são responsáveis por vigiar o que acontece durante a noite. Moisés é craque nos diálogos e linguajar. Além de contar a história pelas vozes dos atores, incluiu ingredientes muito comuns como a festa funk no morro, a “periguete” namorada do traficante que pega um dos olheiros, o início da parceria entre os dois, a troca de favores, a traição. O retrato do efeito do pó na vida dos meninos é muito bem caracterizado e interpretado. Um garoto nascido e criado no morro, o outro no asfalto, são os dois olheiros. Com nascimentos bem diferentes, se igualam no momento em que defendem o morro, local onde vivem, e defendem o tráfico, seu “emprego”. Um tem por opção morar no morro. O outro é a falta de opção que o fez olheiro.

rioecultura Coluna TEATRO OLHEIROS DO TRÁFICO - foto: divulgação

rioecultura Coluna TEATRO OLHEIROS DO TRÁFICO - foto: divulgação

A trilha e a iluminação funcionam muito bem em toda a peça. O cenário, composto de 2 bancadas de camarim ao fundo e degraus, servem bem ao espetáculo. Achei ótimo usar a arquibancada como subida da favela! O figurino também se encaixa na trama.

Moisés, que assina também a direção, deixa claro que sabe do que está falando e conduz os atores por um caminho seguro e de uma realidade impactante. Se utiliza da entrega dos atores para fazer com que tenhamos ao mesmo tempo compaixão e raiva deles. Usa o humor na hora certa e o drama com responsabilidade. No início e no fim da peça, com os atores “sendo eles mesmos” é que precisa de uma atenção para a peça ficar redondinha. Mas, sem dúvida, o retrato da favela, dos olheiros do tráfico, está perfeita quando a ação se passa no morro.

O que resulta no ótimo caminho com que a história é apresentada, é a interpretação dos atores Sandro Barçal e Bruno Suzano. Ambos conseguem mostrar-se como atores, no início e final da peça, e olheiros do tráfico em 90% do espetáculo, fazendo bem a diferença entre Atores/Olheiros. Sabem do universo no morro, trejeitos, usam as palavras a favor de suas personagens para contar a história. Anotem os nomes: duas boas revelações!

Uma peça ousada, onde se mostra um pequeno, mas real, universo na vida dos garotos do tráfico. Mostra a diferença entre quem não tem oportunidades no asfalto, sendo rico ou pobre, e quem opta por seguir o poder dos traficantes. O fim de todos é o mesmo: uma vida muito curta. Vida longa ao espetáculo!

rioecultura Coluna TEATRO OLHEIROS DO TRÁFICO - foto: divulgação

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