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COLUNA TEATRO  
Marcelo Aouila marcelo@aouila.com.br
Fim de ano é certeza: todos os táxis que passam estão ocupados. Nem adianta ficar com o dedinho apontado para o outro lado, pois, de dentro do carro, o motorista faz um sinal, também de dedinhos, que significa “cheio”. E se está com pressa, engole a ansiedade. É pra mais de 20 minutos de espera. Em época de engarrafamentos por toda a parte, em função das modificações que a cidade está passando para ficar mais “bunita”, quem se dá bem são os taxistas, que faturam bastante no período de bandeira 2. E, nessas viagens intermináveis, certamente surgem papos e histórias mirabolantes. Eu sou do tipo calado. Quase não converso com o taxista, mas de vez em quando, puxo assunto só pra ver o que vai sair dali. E saem cobras e lagartos!

rioecultura Coluna TEATRO No Taxi

Partindo desta observação da vida cotidiana de um taxista, Cristina Fagundes escreveu “No Taxi”. A peça é uma tarde na vida do taxista e nós, público, acompanhamos este momento, cheio de aventuras para ele. A cantada do passageiro, a briga entre irmãs, uma doida varrida, uma amante e um ex-presidiário vão se revezando no taxi e, fazendo o motorista de cúmplice, contam rapidamente uma parte, uma fotografia animada, de suas histórias. O texto, bastante divertido e atual, revela as faces mais diferentes dos personagens que habitam nossa cidade e as inusitadas histórias que qualquer taxista pode ouvir ao longo de uma tarde rodando pelas ruas. Cristina escreve muito bem, retrata a vida atual com competência e usa um linguajar coloquial mas de ótimo nível. Além disso, todos os seus textos são divertidos, simpáticos e nos mantém acesos diante das histórias que vão sendo apresentadas.

Também como diretora e idealizadora do projeto, Cristina Fagundes consegue fazer da cidade, e do taxi, o cenário ideal para as histórias. Acerta quando leva 3 pessoas como plateia-cúmplices no banco traseiro e deixa os personagens sentados no carona. A cada bairro, uma parada, onde temos novidades. Todo o percurso entre Leme, Botafogo, Urca, Copacabana e Leme dura entre 45 a 50 minutos. Os atores, muito à vontade na proposta, sabem da importância de estarem cronometrados aguardando a chegada do taxi-palco. Muito criativa a idéia e bem realizada.

O figurino de Luana Monteiro é perfeito para a história e época atual, deixando os atores confortáveis para interpretar. Divertida e criativa também é a trilha sonora e as gravações/músicas tocadas no rádio do carro e os telefonemas recebidos pelo celular, que ouvimos por conta do viva-voz. A luz e o cenário, agradecemos à Deus, pois nada mais interessante que a luz do dia do Rio de Janeiro, que tem o cenário mais bonito do Brasil.

rioecultura Coluna TEATRO No Taxi

Os atores, todos ótimos, nos fazem entrar nas histórias e ficamos incomodados com a briga e com a cantada, ansiosos e preocupados com a maluca e o marginal. O taxista vira nosso motorista particular e torcemos para que nada de ruim aconteça com ele! No “Palco-taxi”, em ordem alfabética, Ana Paula Novellino, Cristina Fagundes, Fernando Melvin, Jorge Neves, Marcelo Dias e Rita Fischer são competentes e talentosos. Não dá para destacar um ou outro, pois cada um vive um personagem bastante denso e intenso. Claro que tem aquele que se gosta mais, e, no meu caso, Mabel Cesar me deixou hipnotizado com a sua passageira-maluca. Aplausos para todos.

No Taxi tem poucas apresentações ainda até o fim do ano, mas vamos torcer para que fique mais tempo “em cartaz” nas melhores ruas do Rio de Janeiro. Com apenas 3 espectadores por apresentação, certamente é uma peça para ficar em cartaz por milhares de anos, variando uma ou outra história de acordo com o dia a dia da cidade. Gostei muito mesmo! Recomendo.

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