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COLUNA TEATRO  
Marcelo Aouila marcelo@aouila.com.br
Primeiro ingrediente: sonhos. Sonho todas as noites. Viajo a lugares que não existem, encontro pessoas que já partiram, converso com desconhecidos. Voo, corro, me escondo. Às vezes (e posso contar nos dedos, talvez umas 6, que me lembre) acordo rido, pois, no sonho, estávamos às gargalhadas. E a piada é tão boa que permaneço sorrido ainda lembrando. Muitos amigos não se lembram de seus sonhos, sou privilegiado e grato por sonhar e lembrar. Pena que ao longo do dia o sonho vai se apagando. Às vezes some por completo, mas basta uma referência e ele é reavivado, porém apenas a parte importante daquele sonho fica. Reserve.

rioecultura Coluna TEATRO 1958 A BOSSA DO MUNDO É NOSSA

Segundo ingrediente: lembranças antigas. Sabe quando você volta à infância, ou à adolescência, e lembra do colégio? Lembra duma festa em que um fato marcante aconteceu? Um fato histórico? A queda das Torres Gêmeas, por exemplo. Naquele dia pode não se lembrar de tudo, mas o momento, o local, o fato, e uma pequena variação de ações, certamente você se lembra. Mas o fato é vivo. E flashes são recordados. Muita coisa se apaga, mas frases, gestos, posições, ficam. Lembro também da vitória da seleção em 1994. Eu no PC com a cara enfiada num joguinho de canos cujo objetivo era completar a instalação hidráulica para o líquido amarelo (ou seria verde?) passar. Este jogo dava sorte ao time do Brasil (oi?). Tenho flashes da cara do jogador que perdeu o pênalti (Rodrigo Baggio?) e dos pulos do Galvão Bueno. Flashes vivos. Reserve.

Pois agora junte os dois ingredientes acima e mergulhe de cabeça no espetáculo “1958 – A Bossa do Mundo é Nossa!”, inspirada no livro “Feliz 1958” de Joaquim Ferreira dos Santos e idealizada para o palco por Andrea Veiga. Lendo o programa, Andrea aliou-se a talentos da produção e do teatro: Andrea Alves e André Paes Leme, respectivamente. A peça é um apanhado de boas memórias, sonhos reais e flashes do que Joaquim conta no livro. Seria mesmo impossível transpor toda a história daquele “ano que não deveria terminar”, para um musical do teatro. Então, André Paes Leme, que assina o roteiro, pegou flashes, sonhos bons de acordar rindo, e ligou os momentos, junto com pequena história de 3 mocinhas. Um belo trabalho de pesquisa e organização da sequência dos fatos e das histórias, sempre tendo como principal lembrança os 7 gols da copa do mundo de 1958.

A direção é do próprio roteirista, o que ajuda pra caramba, pois as duas funções: direção e roteiro se completam. A opção por poucas falas, músicas na medida certa, e explorar, ao máximo, a plasticidade dos atores é um achado. Nunca vi um espetáculo como este. Eu não vi, alguém já deve ter visto, eu não. André usa os atores como contra-regras e como “objetos” de cena. Eles são estátuas, são atores interpretando atores, são testemunhas oculares, são cumplices das histórias acontecidas em 1958. Gosto muito da exploração do palco e da sequência (com idas e vindas sempre ao futebol). É tanta riqueza no espetáculo que gostaria de citar várias, mas não dá. Tenho que ver de novo. Uma eu adorei: logo no início da peça, os jogadores das duas equipes cantam seus hinos. Os da Suécia, sabem de cor e cantam com vontade. Já os brasileiros... quando muito sabem o refrão! Hilário! Esta direção certamente renderá uma indicação para prêmio de teatro. Muito merecido.

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Somada à direção geral, está a direção de movimento, de Márcia Rubin. Posições, gestos, modo de parar em cena, leveza, tudo ajudando aos atores e ao diretor a compor a história. Atores são portas, atores são monumentos, atores são vários passageiros amontoados num avião. Um ótimo trabalho e um afiado casamento entre as funções direção e movimento.

O cenário é de criação de Carlos Alberto Nunes com uma equipe de primeira. Gosto muito dos cobogós estilizados, dos objetos (tv e rádio) e da inteligência com que um objeto simples vira algo inusitado: uma folha de papel vegetal vira a rampa do planalto! Casamento bacana entre cenário e direção. O figurino de Kika Lopes, colorido, auxilia no contar da história e ilustra a época. A luz de Renato Machado é sempre excelente! Com destaque para os refletores de LED que criam azuis e vermelhos bem fortes e bonitos. Cores vivas. Aplausos também para as projeções de Renato e Rico Vilarouca. Outra coisa a comentar: os personagens fumam em cena, mas os cigarros não são acesos. As fumaças estão na projeção!

E ainda temos direção musical (Marcelo Alonso Neves) e músicos! Os atores cantam com dignidade. Destaco Daniela Fontan cantando no programa da rádio nacional e Andrea Veiga, cantando nas boites, berços da Bossa Nova.

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E o elenco, não menos importante, é composto por Andréa Veiga, Bianca Byington, Daniela Fontan, Diego de Abreu, Leandro Castilhos e Matheus Lima. Seria um pecado falar de cada um individualmente. E também seria uma heresia não elogiar um a um. Todos se entregam a este sonho, a estes flashes e momentos de 1958, com muita garra e competência. Todos têm seus momentos de protagonista e são generosos com os colegas no momento da cena do outro. Todos brilham individualmente e no conjunto. Aplausos de pé!

Este musical é inovador, com uma forma diferente de contar uma história. É verdadeiramente uma comédia musical. Gargalhei e atrapalhei os atores, mas era impossível segurar o riso. Cantei e me emocionei com os jingles que não escutei na época, mas que conheço bastante. Sonhei este sonho junto com o diretor e as Andreas. Tive flashes da minha história. E no final da peça fiquei com aquela sensação de ter acordado depois de um sonho com gargalhadas, e pude continuar rindo por um bom tempo. Espetáculo imperdível.
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