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COLUNA TEATRO  
Marcelo Aouila marcelo@aouila.com.br
rioecultura Coluna TEATRO: AOS DOMINGOS

“Todo domingo, havia banda, no coreto do jardim...” Rotina. Domingo é só meu. Fico em casa a maior parte deles e gosto da minha solidão, silêncio, ouvir os vizinhos vivendo. Gosto da possibilidade do ócio criativo, do amadurecimento de idéias. As vezes vou à praia, mas neste dia não saio mais de casa. Mas gosto de ir ao teatro nas noites de domingo, vai entender? Amigos convidam para o almoço, geralmente em cima da hora, coisa de carioca. Quando recuso, ficam putos, mas pra mim, convite em cima da hora só para enterro. Mamãe também é chegada num almoço familiar dominical. Fico com dó e aceito. Essa obrigação social dominical me irrita um pouco. Mas entendo as razões, aceito que as pessoas queiram estar junto aos seus entes queridos neste único dia de folga que eles têm.

Em cartaz no Teatro Gláucio Gil o espetacular ”Aos Domingos”, texto da Julia Spadaccini. A história gira em torno de um almoço dominical a família será reunida após um longo tempo, onde o irmão que mora longe chega para ver a irmã e o pai. Resumindo a historia desta família, seus pais se separaram e os filhos pequenos ficaram com a mãe. Aos domingos, o pai os visitava, mas na verdade eram de 15 em 15 dias. O menino ja observava a sacancagem do pai ao mentir para a filha, mas mantinha na irmã a esperança da chegada do pai naquele domingo da falta. Os anos passaram, o irmão viaja para o exterior deixando a irmã cuidando da mãe. Esta morre. A filha casa “com um qualquer” para afastar a solidão. Pai e filha passam a se ver, aos domingos para um almoço burocrático. O marido da irmã só pensa em si e no trabalho. Eis que neste domingo específico, além do pai, a irmã receberá o irmão que volta para visita-la e de surpresa um amigo de infancia.

rioecultura Coluna TEATRO: AOS DOMINGOS

Júlia Spadaccini é craque em diálogos ágeis e situações embaraçosas. Já assisti a varios espetáculos de teatro escrito por ela, sempre o humor falando mais alto. Desta vez, um drama familiar, amparado na comédia (é impossível não rir em algum momento) está sendo levado ao palco. Sem conhece-la, diria que a autora é uma senhora de idade, com uma vida carregada de historias, mas Julia é novíssima e, como boa psicóloga, constrói profundamente seus personagens. O texto é inteligentíssimo. Pedi um trecho para reproduzir aqui:

“…
JOÃO - E você?

ANA - Eu?

JOÃO - Tudo bem?

ANA - Ah, Johnny! Tudo é muita coisa, não acha? 

João ri.

JOÃO - Está feliz?

ANA - Feliz? Feliz de felicidade?

JOÃO - Tem feliz de outra coisa?

ANA - Ah, Johnny, felicidade é pra quem tem pouca lembrança, coisa de 20 anos.
…”

rioecultura Coluna TEATRO: AOS DOMINGOS

Dá o que pensar, não é? Pois assim é todo o espetáculo. Discussões acaloradas, reconciliações, revelações sobre passado e presente. Sempre com humor, mas enfiando o dedo bem fundo nas feridas que não param de lacrimejar.

A direção de Bruce Gomlevsky é inteligente, explorando os diálogos e as situações que o texto já traz de bandeja. TIra partido das boas atuações do elenco e explora ao máximo a movimentação ansiosa daquela mulher, a futilidade e indiferença do marido, a insegurança do irmão, o constrangimento do amigo e a ausência do pai.

No palco, o ótimo cenário de Nelo Marrese e Natália Lana pode ser uma cozinha aberta para um jardim com árvores decepadas, um alpendre, uma varanda, onde os objetos necessários estão ali para caracterizar a época do espetáculo, como a tv pequena. Ao fundo, três grandes panos, parecendo roupas penduradas no varão, dão transparência para uma cozinha e uma sala. O figurino é de Flávio Souza que impõe uma elegância no amigo, despojamento no irmão, uma roupa de trabalho para o marido e um vestido simples, mas que já foi de festa, para a irmã. A luz de Luiz Paulo Neném é eficiente.

O elenco é encabeçado por Juliana Teixeira que está ótima no papel de Ana. Movimentos seguros, vemos claramente sua ansiedade por aquele almoço. Jorge Caetano interpreta o irmão Edu, ainda com medo de se aproximar daquela família que largou para viver fora. Bruno Padilha interpreta o amigo João, que vem para o almoço trazido pelo irmão e que mostra com precisão todo o seu desconforto em participar daquele encontro. Paulo Giardini é Sérgio, o marido, numa brilhante construção que leva a plateia a gargalhadas.

Aos Domingos é um espetáculo inteligente, divertido, que faz pensar. Nos envolvemos naquela história do principio ao fim e não queremos que a peça acabe. Ficamos revendo momentos do espetáculo, passando o texto na cabeça, após a apresentação, encontrando frases geniais para repeti-las depois. Um ótimo programa, um excelente espetáculo de teatro. Imperdível.

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