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COLUNA TEATRO  
Marcelo Aouila marcelo@aouila.com.br
rioecultura - Coluna TEATRO: Rock In Rio – O Musical

O único dia do único Rock In Rio que participei foi na abertura da terceira edição. Como trabalhava ali perto, no Projac, deixei o carro no estacionamento da empresa. Neste dia, a Orquestra Sinfônica abriu os trabalhos, junto com a esquadrilha da fumaça. Depois, Milton Nascimento, Gilberto Gil, James Taylor, Daniela Mercury e Sting encantaram o publico. Saí extasiado. Inesquecível. Nunca mais participei do festival. Coincidência apenas. Acompanhei pelo MultiShow o ultimo, lá no Parque dos Atletas, onde só fui conhecer quando Madonna cantou por lá. E a experiência não foi boa. Como o próximo festival também será naquele lugar, vai ser difícil a família Medina me ver por lá novamente.

Estreou na ultima quinta feira uma belíssima homenagem ao Rock In Rio na Cidade das Artes, Barra da Tijuca. A Grande Sala é imensa, os lugares são confortáveis, ótima acustica e o ar condicionado funcionou bem. Alguns probleminhas na chegada e partida, infra-estrutura rudimentar do lugar, mas que tenho certeza que logo serão corrigidas. Fora isso, é um mega complexo de boas intenções. Oremos.

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No espetáculo “Rock In Rio - o Musical”, o texto é de Rodrigo Nogueira. Esse garoto é bom! Já vi uns 4 espetáculos escritos por ele e sempre me surpreendo com sua capacidade e sua qualidade nos diálogos. Palavras raramente usadas são muito bem empregadas. Rodrigo escreve bem, tem carpintaria teatral, faz um excelente jogo de palavras e de cenas com os 4 personagens principais, atualiza as piadas, sabe onde quer chegar. Os personagens criados por ele para contar esta história estão bem caracterizados, sem exageros.

A história é bem criativa: um rapaz que se comunica através da musica (não fala), e uma menina que detesta musica (e fala pelos cotovelos), se conhecem e se apaixonam. Ambos sofreram traumas de infância relacionados às suas famílias. Ao longo do espetáculo, referências sociais a um Brasil do passado, a insana luta do criador do festival para manter vivo o seu sonho, a humilhação do empregado feita pelo patrão opressor, a discussão sobre uma doença contagiosa. Gostei desta salada. O texto é bastante inteligente abrindo espaço para que as palavras sejam substituídas por música e deduções.

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Na parte técnica, Nello Marrese e Natália Lana dão um show no cenário! Bonito, possível, funcional, elegante, de bom gosto. Funcionando muito bem para que o elenco possa ter espaço e que as cenas intimistas sejam compartilhadas com a plateia. Destaque para as casas dos protagonistas e os camarins em containers. No figurino Thanara Shönardie acerta em cheio na escolha dos tecidos e cores para os personagens. A luz de Paulo Cesar Medeiros é bonita e de bom gosto. Destaque mais que especial para a coreografia moderna, ousada e linda de Alex Neoral. Diferente do lugar comum, Alex foi criativo e inovador. Excelente seu trabalho. Delia Ficher assina a direção musical e os ótimos arranjos e tem à sua disposição excelentes músicos formando a banda do musical.

Encabeçando o elenco Lucinha Lins é a mãe do rapaz que se comunica pela música. Uma das vozes mais belas de todos os tempos, Lucinha encanta, dança e representa como ninguém. Suas interpretações musicais são o ponto alto do espetáculo.  Yasmin Gomlevsky, interpreta  a “Revoltadinha da Estrala”, canta muito bem, atropela um pouco as palavras, mas acredito que seja pela ansiedade de sua personagem, pois sua competência vocal é inegável. Guilherme Leme, como o pai da mocinha, tem total segurança no papel, sabendo explorar a qualidade daquele pai largado, ausente e que, mesmo frágil e com medo de enfrentar a vida, produz um festival.  Hugo Bonemer é Alef, o mocinho, daqueles que toda menina quer para si, quer cuidar, quer proteger e amparar. Hugo atua e canta muito bem, sua voz é ótima e seu Alef é um grande personagem.

Destacando-se entre os personagens, Ícaro Silva vive Marvin. Genial! Leve, solto, confiante e seguro em cena, Ícaro, com sua experiência em Malhação e DJ de festas badaladas, segura a plateia nas mãos e com carinho. É a grande (e boa) surpresa do espetáculo! Caique Luna se supera como Geraldo, o gay afetado que controla todo o festival. Emílio Dantas interpreta Roger, personagem difícil, que tem a missão de informar aos jovens que a prevenção é a arma contra as doenças infecciosas, seja por droga, seja por sexo. Papel importantíssimo no espetáculo, pois estamos vendo por aí, ainda hoje, o grande numero de jovens se contaminando com doenças sem cura. Kakau Gomes e Luiz Pacini dominam as cenas da loja de disco, numa simbiose total em cena. Marcelo Varzea intrepreta um professor de faculdade que tem a árdua tarefa de ser o interlocutor entre os revoltados alunos e a reitoria linha dura.

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É grande o numero de atores. Porém todos estão muito bem em cena: Bruno Sigrist, Liv Ziese, Romulo Neto, Karen Junqueira, Juliane Bodini, Stephanie Serrat, Daniele Falcone, Sheila Matos, Alessandro Brandão, Cris Penna, Bruno Fraga e Celo Carvalho. Todos cantando e dançando com competência!

Acho uma genialidade formar uma equipe que vibra na mesma sintonia, que esteja afim de buscar o melhor para o espetáculo. E mais uma vez João Fonseca é o maestro deste espetáculo. Assim como na minha única presença no dia de abertura do 3º Rock In Rio com a OSB, vi ali na Cidade das Artes (que seria a casa da OSB) um maestro comandando uma orquestra formada por atores, técnicos, contra-regras, músicos, cenógrafos, figurinista, iluminador e coreografia. Tudo funciona perfeitamente. João sabe dar velocidade quando precisa e puxar o freio do espetáculo na hora necessária. As marcas são sempre limpas. Claro que com um mega palco as vezes é impossível não correr para sair de cena, mas são ossos do oficio. Não é necessário se rasgar elogios a João Fonseca (amigo querido que não canso de elogiar). Vá ver a peça e tenha a certeza de que seu trabalho é para ser aplaudido e premiado. É um dos seus melhores trabalhos como diretor.

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“Rock in Rio - o Musical” é sem dúvida uma declaração de amor à musica e ao teatro. Rodrigo Nogueira escreve no programa da peça um dos textos mais emocionantes que já li em programas de teatro. Concordo plenamente com ele. Assim como o festival tem por objetivo transformar o mundo - “Rock in Rio - Por Um Mundo Melhor” - esta peça mostra que, sim, a música é capaz de mudar homens, atitudes e pensamentos.

Havia dito recentemente que “Priscilla, a Rainha do Deserto” era o espetáculo que mais havia me tocado desde “O Mistério de Irma Vap”. Pois “Rock In Rio - o Musical” acaba de entrar para a minha história pessoal dos melhores espetáculos musicais que já assisti em teatro. Um espetáculo brasileiro, sobre amor, música, explorando talentos nacionais de qualidade, mostrando que o Rio e o Brasil sabem fazer espetáculos inéditos voltados para a nossa realidade. Vida longa ao projeto. Um belo espetáculo que merece ficar em cartaz até setembro de  2013, quando teremos uma nova edição do festival Rock In Rio.
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