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COLUNA TEATRO  
Marcelo Aouila marcelo@aouila.com.br
Sempre que estreia um novo espetáculo de Harold Pinter no Rio é imediata a associação ao grande Ary Coslov. Acompanho sua paixão por este autor. Ary é o porta-voz de Pinter no Brasil. Estudioso e curioso, resolveu levar ao palco do Teatro Solar de Botafogo, um espaço que tive o prazer de produzir uma temporada da peça infantil “O Casamento de Dona Baratinha”, duas montagens deste autor. A primeira, “Traição”, rendeu o Prêmio Shell de melhor direção para Ary. E para o Solar de Botafogo, rendeu seu maior sucesso. E agora, “Pinteresco”, com 12 esquetes do início da carreira de Pinter, é o espetáculo da vez.

rioecultura - Coluna TEATRO: Pinteresco (foto 1)

Encarei os textos como uma forma de exercício para os atores. Falar sobre o cotidiano, como tentamos nos comunicar - e às vezes não conseguimos êxito, pois cada um está olhando para seu próprio umbigo ao invés de se doar ao outro -; como gastamos saliva para dizer um simples “sim” ou “não”; como temos que falar além da conta para que nossa opinião seja ouvida.

Na montagem atual fica clara a ironia política quando, em um dos quadros, o novo ministro da cultura é um ex-secretario de segurança; a critica social sobre “tomar conta da vida dos outros” presente na conversa entre duas senhorinhas sentadas à mesa numa tarde qualquer. Está também presente a atriz que tenta de todas as formas agradar ao seu publico contando casos de sua mãe; um hilário ataque de moralidade de uma mulher que se insinua para um homem num ponto de ônibus e, quando ele se mostra indiferente, ela o ataca aos gritos acusando-o de assédio. Gosto também do chefe opressor que pergunta ao funcionário como vão as vendas de um determinado produto - cujo nonsense dos nomes dos produtos é a grande sacada do esquete.  E uma brilhante cena onde os sequestradores torturam um homem, porém a maior tortura é a da comunicabilidade.Tudo com humor e inteligência.

rioecultura - Coluna TEATRO: Pinteresco (Cartaz)

A tradução de Jacqueline Laurence e Isio Gelman é bem adaptada para o português brasileiro com nossas nuances verbais. O cenário de Marcos Flaksman, elegante como sempre, nos mostra um camarim ao fundo do palco separado pela área de atuação por uma tela translucida. Em cena apenas o necessário: mesa e duas cadeiras. Ary ainda brinca com o a montagem das cenas feitas pelos próprios atores. O figurino de Kika Lopes são muito elegantes e bonitos. Aurélio de Simone cria uma luz tão bela que entre as pausas do texto, e principalmente no fim das cenas, temos uma fotografia linda no palco, uma pintura. Tudo isso, como um delicioso glacê de bolo, temos a trilha sonora assinada por Ary Coslov.

Claro que a direção não poderia ser mais elegante, criativa e correta. Ary sabe, desde que começa a ler o texto, o que fazer com cada personagem. Ele, como co-autor de Pinter, dá vida aos personagens através dos gestuais dos atores, olhares de soslaio, afastar de corpos, virar de cabeças. É tudo Ary quem comanda. A transição das cenas, o explorar de cada palavra, a utilização de todo o palco a favor do texto, sem pressa, com segurança e elegância. Alias, Ary é sinônimo de elegância, generosidade e inteligência. Mais um trabalho que certamente será indicado a um prêmio teatral.

Mas nada disso seria possível se não fosse a entrega completa do elenco. Alice Borges, Marina Vianna, Leonardo Franco e Sávio Moll estão excelentes. Embarcam em Pinter, acreditam no diretor, seguem à risca as marcas e o resultado não poderia ser diferente. Alice Borges tem o poder de usar a comédia a seu favor. Fazer o patético em cena é dificílimo e Alice faz com primor. Marina Vianna tem para si a voz grave e segura que a torna a dona da história quando fala. Leonardo Franco mostra a força de sua presença em cena com simples gestos e olhares, dominando o palco, vivendo as cenas. Savio Moll tem a seu favor o molejo de seu corpo, brincando com isto para dar vida aos personagens. Tenho certeza que o elenco se diverte muito em cena. Repetem frases, cada entonações diferentes e o publico entende o jogo da mudança.

rioecultura - Coluna TEATRO: Pinteresco (foto 2)

Quando li o titulo, primeiramente pensei em “pitoresco”. Fui ao Google - pedi ajuda à Nossa Senhora de Wikipedia e ao bom e velho Aurelinho - e lá diz que “Pitoresco é um conceito da estética que faz referência às impressões subjetivas desencadeadas pela contemplação de uma cena paisagística em relação à pintura. Surgiu como um intermediário entre as ideias do sublime e do belo, durante o desenvolvimento do Romantismo. A palavra deriva do italiano pittoresco, ‘semelhante ou feito como uma pintura’.”. Pois minha suposição estava certa. O espetáculo “Pinteresco” é semelhante a uma pintura, uma contemplações de cenas, situadas no intervalo entre o sublime e o belo.
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