rioecultura rioecultura
Facebook Twitter Pinterest Picasa Instagram
EXPOSIÇÕES EVENTOS LOCAIS CULTURAIS COLUNISTAS ARTIGOS MATÉRIAS NOTÍCIAS INSTITUCIONAL COLABORADORES CONTATO
TRANSLATE THIS WEBSITE
COLUNA TEATRO  
Marcelo Aouila marcelo@aouila.com.br
Tive o prazer de produzir nestes últimos 2 anos projetos de shows musicais. O primeiro, em parceria com a Doris Motta, foi uma homenagem ao maestro Helvius Vilela, chamado “Com você perto de mim”, onde a Bossa Nova esteve presente e o Rio de Janeiro era a estrela maior. O segundo projeto, em parceria com minha sócia na Somar Ideias, Sônia de Paula, chamou-se “As Belas Tardes”, onde a Jovem Guarda marcou presença, em shows gratuitos em São Paulo.

A música sempre esteve na minha vida desde que nasci. Os Caymmi eram (a ainda são) escutados o tempo todo nas reuniões familiares. Agradeço a Deus a oportunidade de conhecê-los pessoalmente. Lembro também do dia em que mamãe recebeu um LP duplo de Milton Nascimento, seu compositor favorito. Assim que desembarquei no Rio, de uma breve passagem à trabalho por Salvador (onde pude comemorar os 70 anos de Caetano) levei-a ao teatro para juntos assistirmos a “Milton Nascimento - Nada será como antes”, no Theatro Net Rio.

rioecultura - Coluna TEATRO: Milton Nascimento – Nada Será como Antes

Nos moldes do excelente musical “Beatles, Num Céu de Diamantes” (que assisti 5 vezes), esta nova montagem da dupla Charles Möller e Cláudio Botelho homenageia um dos maiores compositores brasileiros. Mineiro de coração, Milton tem neste musical um apanhado dos seus 50 anos de carreira e está tudo lá. Da suas musicas referenciais das fazendas, do tempo, da vida brasileira dos anos 70 e 80. Uma bela e sensível  escolha do repertório, digna dos melhores musicais já exibidos nos palcos cariocas.

rioecultura - Coluna TEATRO: Milton Nascimento – Nada Será como Antes

Falar sobre Brasil, nossa musica, nossa dramaturgia, nossas lendas, parece não agradar muito aos espectadores, que ainda optam por musicais importados, o que leva os patrocinadores e produtoras e preferirem o óbvio tendo por base sucessos mundiais. Mas nossa música é tão rica, tão eclética e tão peculiar, sem falar no alto nível de composições, que ter o espetáculo “Nada será como antes” em cartaz no Rio, é um privilégio. Olhar para o Brasil, para Minas Gerais e para Milton Nascimento é um acerto, um presente, uma homenagem a todos nós. Na parte técnica, a cenografia (Rogério Falcão) nos remete às casas de fazenda, com pinturas nas paredes lembrando de tudo um pouco: café, abelha, terra... Nos lindos figurinos de Charles Möller a delicadeza das escolhas dos tons e das texturas é um prazer aos olhos. Destaque para a imagem de Maria (Nossa Senhora), no colo de Marya Bravo, que canta “Maria, Maria” com uma dignidade, um carinho e uma emoção que leva a plateia às lágrimas. A excelente luz de Paulo Cesar Medeiros abraça todo o espetáculo.

Ainda para lembrar “Beatles, num céu de diamantes”, os arranjos vocais de Jules Vandystadt e os arranjos musicais de Délia Ficher são criativos, modernos e belos. Eu cantaria “Amigo” toda em português, mas cantá-la parte em inglês transforma nossa música em universal. Toda a movimentação cênica nos lembra o musical anterior, com marcações bem cuidadas e caprichadas. Temos pequenas cenas realizadas no palco inspiradas nas letras das canções. O vento, o cheiro, o café, a calma mineira. Tudo está em cena.

A dupla Claudio e Charles acerta cada vez mais no bom gosto, na competência, na certeza de que sabem para onde estão caminhando - além do Arco Iris (só para fazer uma brincadeirinha com a outra produção americanizada em cartaz) - e que tem como mérito maior unir diversos talentos em prol da valorização da Musica Brasileira de bom gosto, em tempos pobres de tchum e tchá.

rioecultura - Coluna TEATRO: Milton Nascimento – Nada Será como Antes

rioecultura - Coluna TEATRO: Milton Nascimento – Nada Será como Antes

No grande e excelente elenco, destaco Marya Bravo, Wladmir Pinheiro, Cássia Rachel e Cláudio Lins. Com lindas vozes temos também Delia Fischer, Estrela Blanco, Jonas Hammar, Jules Vandystadt, Lui Coimbra, Pedro Aune, Pedro Sol, Sergio Dalcin, Tatih Köhler e  Whatson Cardozo. Todos excelentes cantores emprestam sua alma para as músicas de Milton Nascimento.

Com o coração pulsando de alegria, assistimos um espetáculo à altura da Musica Brasileira, em homenagem a este grande compositor e cantor, que pode acompanhar, ainda vivo, este presente pelos seus 50 anos de carreira e 70 de vida. Felizes aqueles que podem receber tal homenagem. O presente ganhamos nós, publico que gosta da boa música. Não perca. Se não conhece Milton Nascimento a hora é esta. Se conhece, garanta já o seu lugar na plateia e saia de alma e corações lavados.

rioecultura - Coluna TEATRO: Milton Nascimento – Nada Será como Antes
compartilhe subir a página
Postagens

Julio Biar [MPB]

Leo Ladeira [Patrimônio Histórico]

Marcelo Aouila [Teatro]

Seu nome:

Comentário:

Observação:
Verifique o texto antes de enviá-lo, pois não será possível modificá-lo ou apagá-lo após o registro.

ATENÇÃO: O seu comentário não será postado automaticamente. Ele passará por uma aprovação antes de ser publicado.



Seja o primeiro a comentar!
Escreva ao lado sua opinião.

Dados do(a) amigo(a):
Nome:
E-mail:
Mensagem:
Seus dados:
Seu nome:
Seu e-mail:
 
  voltarsubir
© Copyright 2008-2013 Rio&Cultura
SIMETRIA Arte e Comunicação desenvolve este site

Clicky Web Analytics
Rio&Cultura