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COLUNA TEATRO  
Marcelo Aouila marcelo@aouila.com.br
No final de setembro, nossa vida mudou bastante. Passamos a frequentar UTI, salas de espera de emergência, ambulância. Convivemos com outros pacientes, presenciamos a precariedade da saúde e a falta de leitos em nosso país. Papai, embora não registrasse muito o que estava acontecendo, nos mostrou a dureza que é um paciente com câncer em fase avançada. Ele nos deixou em 19 de setembro. Naquele dia, antes do Fantástico terminar, mamãe ligou dando a notícia. No dia seguinte, trâmites burocráticos, velório e enterro. O nosso, muito triste, mas a causa da morte era natural. Doença. O velório ao lado era um furdunço só. Menina atropelada. No nosso teve oração católica. No do lado, cânticos evangélicos. No nosso, choros contidos. Ao lado, desesperos juvenis, "Ai, me leva junto!". Todos sofrendo a morte de uma pessoa querida. No nosso caso, era a ordem "natural" da vida. No do lado, mãe, pai, avó, tios, choravam e gritavam a morte brutal.

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Assisti ao espetáculo Obituário Ideal, que estréia nova temporada na Casa de Cultura Laura Alvim, a partir do dia 11 de novembro. A peça, texto do genial Rodrigo Nogueira, que acompanho desde Play, é a história de um casal que, para tentar salvar o casamento, busca o verdadeiro sentimento, através da excitação em acompanhar velórios e enterros. Ao longo da peça eles procuram em jornais e programas de televisão informações, obituários, que possam indicar um enterro mais peculiar e excitante que o último acompanhado. No fundo, no fundo, está se discutindo, na peça, até que ponto um dos lados do casal deve se submeter a tentativas de manter uma relação, quando o matrimônio já está mais que morto. Discute-se, faz-se pensar, até quando vale insistir numa ilusão, num paleativo, numa migalha, em busca do "até que a morte nos separe". Neste caso, a morte dos outros é o único elo entre os dois. A cada novo enterro, um sopro de vida na vida do casal.

Gosto muito do texto. Ágil, divertido, inteligente, como sempre, Rodrigo brinca com as palavras, com as frases, leva a platéia para um caminho de raciocínio, mas logo percebemos que a conclusão é totalmente inusitada. Destaque para as ligações telefônicas recebidas, para os comentários sobre a diferença entre o enterro do rico e do pobre, e, principalmente, as manchetes dos programas de televisão que ouvimos ao longo da peça.

A direção do próprio autor junto com Thiare Maia, conduz a ação com simplicidade e competência. Sem grandes firulas, como é de se esperar, resolve simples problemas de trocas de roupas com eficiência e criatividade. Os atores falam perfeitamente o que o autor quer dizer, sem deixar duvidas sobre a mensagem do texto.

No palco, temos um simpático cenário de Aurora de Campos, que nos recordando a década de 50, acrescido da bonita e eficiente luz do Renato Machado. Pontos positivos também no figurino de Gabriela Campos e a trilha sonora, também do Rodrigo, que evoca cenas de mortes em novelas e locuções de Maria Beltrão para crimes que serão obituários ideais.

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Maria Maya e Rodrigo Nogueira são divertidos, corretos, emotivos, eficientes, parceiros, generosos e afiados em cena. Ele domina o texto que escreveu, e como o marido que tenta salvar o casamento, consegue nos deixar atônitos com suas reações, principalmente quando a mulher diz para ele qual seria o obituário ideal para ela. Já Maria Maya, linda, cabelos a lá Amy Winehouse, competente e talentosa, consegue nos passar a insegurança, a falta do desejo pelo seu marido, o medo de encarar uma provável doença, ou uma possivel gravidez, é irônica no tempo certo. Uma dupla que se afinou no palco e que, espero eu, tenhamos mais encontros em muitos outros espetáculos.

Um tanto mórbido para o meu momento pessoal, confesso que ri bastante com o texto e com as atuações. Uma peça divertida, inteligente, crítica. O humor negro que eu gosto e com atores talentosos. Para quem gosta de teatro e tem o bom gosto das boas comédias.
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