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COLUNA PATRIMÔNIO HISTÓRICO
Leonardo Ladeira ladleo@gmail.com
rioecultura - Coluna Patrimônio Histórico: Parque das Ruínas, em Santa Teresa

Um dos personagens mais famosos do bairro de Santa Teresa no passado foi a mecenas Laurinda Santos Lobo, que morava em um luxuoso palacete na Rua Murtinho Nobre, e promovia ali concorridos saraus e reuniões literárias. Com a morte de Laurinda, o palacete em estilo neocolonial foi saqueado, abandonado e chegou a ser invadido por um traficante. Em 1996, a Prefeitura do Rio de Janeiro tomou posse do imóvel e o transformou em um centro cultural, inaugurado no ano seguinte. Vamos conhecer hoje a história do Parque das Ruínas, um dos lugares mais agradáveis de Santa Teresa e da Cidade Maravilhosa, incorporado à vida cultural do Rio há 15 anos.


rioecultura - Coluna Patrimônio Histórico: Parque das Ruínas, em Santa Teresa

Neste palacete construído na segunda metade do século XIX, na Rua Murtinho Nobre, próxima ao Curvelo, em Santa Teresa, vivia a mecenas Laurinda Santos Lobo, sobrinha do famoso homeopata e ministro Joaquim Murtinho, de quem herdara o imóvel. No então denominado ‘Chalé Murtinho’ realizavam-se badaladas festas frequentadas por nomes como Isadora Duncan, Villa-Lobos, Oswaldo Cruz, o escritor Anatole France, o poeta Félix Pacheco, entre outros.


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Dividindo-se entre o Rio e Paris, onde passava várias temporadas, Laurinda reformou o palacete, dando-lhe um aspecto neocolonial. Foram introduzidos ali uma superposição de motivos decorativos e azulejaria. Os adornos do interior foram inspirados nos salões literários de Paris. Segundo ex-empregados, havia uma cor para cada cômodo. Um dos mais luxuosos era o ‘salão azul’, que abrigava bronzes, jades verdes, sedas douradas, tapetes e móveis orientais. Eram ao todo seis salas, três salões, quatro quartos, mirante, capela, banheiros, três quartos de empregados, cozinha, lavanderia, sala de costura, despensa e duas copas.


rioecultura - Coluna Patrimônio Histórico: Parque das Ruínas, em Santa Teresa

Laurinda não teve filhos e após sua morte, em 16 de julho de 1946, o palacete deixou de viver a efervescência do passado. Foi deixado em testamento para a Sociedade Homeopática, que nunca chegou a tomar posse. Abandonado à própria sorte, sem vigias, o imóvel foi saqueado por moradores de Santa Teresa (‘de todas as classes sociais’, como diz a poeta Raquel Jardim, ex-administradora regional de Santa Teresa). Caminhões eram vistos na porta da casa. Telhas, janelas, móveis e até o antigo piano de Laurinda foram levados. O palacete também foi invadido por mendigos e por um traficante, que sublocava o terreno para outras famílias.


rioecultura - Coluna Patrimônio Histórico: Parque das Ruínas, em Santa Teresa

Em 1996, a Prefeitura do Rio de Janeiro e a Administração Regional do bairro deram fim ao triste capítulo de abandono que vivia o palacete da Murtinho Nobre. Após minuciosa restauração do que ainda restara de pé, foi feita no local uma intervenção moderna e criado o Parque das Ruínas, uma área de lazer para os moradores de Santa Teresa e um espaço cultural para a cidade do Rio de Janeiro.


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Com a restauração do imóvel, projeto premiado dos arquitetos Ernani Freire e Sônia Lopes, criou-se uma ponte entre o passado e o presente. Entre as paredes nuas foram instaladas passarelas e escadas metálicas que conduzem o visitante a um tempo e espaço imaginário. As estruturas criadas fortalecem o imóvel e criam espaços de circulação interna em vários níveis, até alcançar o último, onde situa-se o mirante. Segundo a Prefeitura do Rio o objetivo era valorizar as ruínas, um elemento marcante na paisagem do bairro, para que pudessem ser desfrutadas como espaço revitalizado adaptado a novas funções.


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O Parque das Ruínas possui auditório com capacidade para 100 pessoas, um palco de 88 metros quadrados, sala de exposições temporárias e cafeteria. O espaço costuma abrigar concertos, seminários, shows, eventos e palestras.


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No último piso encontra-se um mirante que oferece uma vista panorâmica privilegiada do Centro do Rio, Baía da Guanabara e da Zona Sul. Dali podem ser contemplados marcos da cidade, como o Cristo Redentor, o Pão de Açúcar, a Central do Brasil, os Arcos da Lapa, o Aeroporto Santos Dumont, entre muitos outros.


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No terreno do Parque, onde Laurinda pretendia construir um jardim, hoje são realizados espetáculos abertos à comunidade, como apresentações teatrais, circenses e musicais. Aos domingos de manhã costumam acontecer ali espetáculos infantis que atraem muitos pais e filhos para o local.


rioecultura - Coluna Patrimônio Histórico: Parque das Ruínas, em Santa Teresa

A cafeteria do espaço cultural localiza-se em uma esplanada à italiana e possui forma de coreto, por ter sido encontrado no projeto da casa um coreto que jamais chegou a ser construído."


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Nascida em Cuiabá em 1878, herdeira da Companhia Mate Laranjeira, Laurinda Santos Lobo foi batizada por João do Rio de “Marechala da Elegância”. A mecenas chegou a presidir o Conselho da Federação Brasileira para o Progresso Feminino e não hesitava em usar seu prestígio em prol das lutas feministas. Em sua homenagem, Heitor Villa Lobos compôs a peça Quattour - Impressões da Vida Mundana.

SERVIÇO
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PARQUE DAS RUÍNAS
Endereço: Rua Murtinho Nobre, 169 – Santa Teresa
Rio de Janeiro (RJ)
Tel.: (21) 2224-3922 / 2215-0621
Horário: terça a domingo, 8h às 18h
Admissão: Gratuita
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Fotos atuais do Parque das Ruínas: Leo Ladeira

Fontes de Consulta
* Rio de Janeiro: Preservação & Modernidade – Pref.do RJ – Sextante Artes – 1998.
* Laurinda Santos Lobo: mecenas, artistas e outros marginais em Santa Teresa. Hilda Machado. Editora, Casa da Palavra, 2002.
* ‘O Glamour da Ruína’ – Veja-Rio: 6 de novembro de 1996.
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Magnifico registro sobre Laurinda Santos Lobo, gostaria de enviar para pessoas amigas que visitaram o Parque das Ruinas e se encantaram com o carisma da Mecenas.
  Postado por: Ascensión Chanqués
  em: 2014-09-02 10:37:34

É uma vista linda merece muitas plataia
  Postado por: fabiana critina de oliveira
  em: 2014-09-22 17:00:07


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