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COLUNA PATRIMÔNIO HISTÓRICO
Leonardo Ladeira ladleo@gmail.com
Ela perdeu o prestígio e a nobreza do passado, quando era endereço de barões e viscondes, mas, com mais de 200 anos de história, a Rua dos Inválidos, no Centro do Rio, ainda possui muitas riquezas a mostrar.



Paralela à Gomes Freire, no coração da Lapa, a Rua dos Inválidos se estende por quatro quadras entre as ruas Visconde do Rio Branco e Riachuelo. Foi aberta em 1791 pelo vice-rei Conde de Resende, recebendo o nome de Rua Nova de São Lourenço, em referência a um oratório que existia nas proximidades. O nome “Inválidos” surgiu três anos depois, quando ali foi construído um asilo para soldados reformados ou invalidados.

Moradores ilustres

Na rua viveram nobres como a Baronesa de Bambuí e o Visconde de Uruguai. Outro morador ilustre foi Francisco Targine, o Visconde de São Lourenço.



Conselheiro de D.João VI, o visconde morava em um casarão construído no século XIX, na esquina da Inválidos com Riachuelo. Após sua morte, a casa teve vários proprietários e chegou a sediar o Colégio Marinho. Hoje, do antigo palacete do visconde só resta praticamente a fachada, apesar de o prédio ter sido tombado pelo IPHAN em 1938. Parte do reboco do edifício caiu e paredes internas despencaram.

Sem telhado e em completa ruína, o casarão foi interditado e acabou tornando-se abrigo para mendigos e meninos de rua. O IPHAN e a Prefeitura do Rio já iniciaram o processo de escoramento do que ainda está de pé e os invasores foram expulsos. “O Município está tentando adquirir o edifício para restaurá-lo e dar-lhe nova utilização”, garante Teodoro Joel, chefe da Divisão Técnica do IPHAN.


Casa do Barão no passado e atualmente

O velho casarão do visconde não é o único bem tombado da rua. Também são protegidos por lei a Igreja de Santo Antonio dos Pobres, o cortiço “Chora Vinagre” e o edifício da Polícia Central.

Descaracterização, Abandono e Interdição

Apesar de estar descaracterizada, com muitos prédios novos e lojas comerciais, a Inválidos ainda guarda parte de seu casario histórico, que pode ser visto principalmente nas primeiras quadras. Segundo os moradores, os principais problemas da rua são a iluminação insuficiente e a falta de tratamento de esgotos.



Em dezembro de 2009, a Defesa Civil Municipal interditou um trecho da rua. Cerca de 300 pessoas foram obrigadas a sair de casa com as roupas do corpo, após um morador do prédio número 18 ouvir estalo e ver a parede do quarto afundar. Vários edifícios, um estacionamento e a Igreja de Santo Antônio dos Pobres foram interditados e precisarão passar por obras. Os danos estruturais nos prédios da Rua dos Inválidos podem ser devidos à obra da empresa W Torre Engenharia, responsável pela construção de quatro torres que serão utilizadas pela Petrobras.

Atrações da Rua:

Igreja de Santo Antonio dos Pobres (nº 42)
A capela primitiva foi construída naquele mesmo local em 1811, por um rico senhor, Antonio José de Souza. D.João VI assistia as missas ali. A igreja foi reconstruída em 1940, ganhando feição neo-românica. O templo tem nave única, com cinco altares laterais.



No altar-mor, está a imagem do padroeiro, Santo Antônio dos Pobres. A fachada é em pó de pedra. Por toda a nave, vitrais retratam passagens da vida de Santo Antonio. A Sacristia ocupa o lugar de um antigo cemitério. No batistério, encontra-se uma belíssima pia de mármore. A igreja era freqüentada por Bentinho, personagem central de “Dom Casmurro”, de Machado de Assis. Hoje, o templo é um dos imóveis da Rua dos Inválidos que apresenta risco de desabamento.

O padre Sérgio Marcos disse recentemente ao Jornal O Globo que, há cerca de seis meses, a Igreja começou a apresentar pequenas fissuras nas paredes. Elas foram aumentando e aparecendo em outros locais, como na escadaria exterior e próximo ao altar. Atualmente a Igreja está interditada. Cortiço Chora Vinagre (n° 124)
Conserva a atmosfera dos cortiços da época do “bota a baixo”, com varais repletos de roupas, tanques coletivos e escadarias e piso de madeira. Construído em 1893, o cortiço possui 69 cômodos distribuídos em dois pavimentos, com apenas seis banheiros, sendo só três com chuveiro. O Chora Vinagre mantém as características da moradia típica do centro da cidade do século XIX - sobrados divididos em muitos cômodos, com dependências coletivas, como banheiro e lavanderia. O pátio descoberto ainda apresenta resquícios do piso em pé-de-moleque do fim do século XIX. Tombado pelo Patrimônio Municipal.

Prédio da Polícia Central (esquina c/Rua da Relação)
Quando foi construído, em 1908, era conhecido como Palácio da Polícia. A construção de prédios bonitos e modernos visava à melhoria da abalada imagem da polícia de então. Projetado em estilo eclético por Heitor de Melo, em seu interior destacam-se os belos vitrais, o piso em mosaico, a escadaria de mármore, os azulejos e o antigo elevador.



A esquina é valorizada pela cúpula e pelo tratamento monumental da entrada. O prédio ganhou má fama após ter sediado o DOPS durante o regime militar. É a atual sede do Museu da Polícia Civil, instituição fundada em 1912 e hoje integrada na programação do corredor cultural do centro da cidade. Horário de visitação: de 2ª a 6ª feira, de 11h às 17h30min.

Antigo Casarão do Visconde de São Lourenço (nºs 193/203)
Naquele local foram construídas, no século XVIII, diversas casas térreas. Seu proprietário era o antigo oficial das ordenanças Antônio da Cunha. Em 1820, o casarão foi reformado e adquirido por Francisco Targine, o Visconde de São Lourenço e antigo Conselheiro de D.João VI.



Após sua morte, a casa teve vários proprietários e chegou a sediar o Colégio Marinho. No século XX, funcionou como mercearia, barbearia, salão de bilhar a até como casa de pasto. O prédio possuía três pavimentos, e teve suas portas e janelas alteradas. Encontra-se praticamente em ruínas.

Por Leo Ladeira

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Fontes de Consulta:
* Guia dos Bens Tombados Brasil – Maria Elisa Carrazzoni – Expressão & Cultura – 1987.
* Guia da Arquitetura Eclética no Rio de Janeiro / Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, Secretaria Municipal de Urbanismo, Centro de Arquitetura e Urbanismo do Rio de Janeiro. 2001.
* Rio Antigo - Roteiro Turístico-Cultural do Centro da Cidade. EMBRATUR – 1979.
* Guia das Igrejas Históricas da Cidade do Rio de Janeiro – Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro / 1997.
* da Silva, Prof. Jerônimo de Paula - in Palestras - Depto. de História e Teoria - FAU/UFRJ - 2001
* Rio revitaliza cortiços do centro – O Estado de São Paulo - 31/05/2009
* O Globo online – 12/12/2009
* Acervo Leonardo Ladeira
* Acervo Ayrton 360º
* Home Page Museu da Polícia Civil do Rio de Janeiro
* Flog Foi um Rio que Passou
* Flog Carioca da Gema
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Parabéns Leo, vc faz com que possamos ver a cidade com outros olhos. Abraço Ana
  Postado por: Ana Cristina Teixeira
  em: 2010-04-15 11:54:43

Prezado Leo, Acompanhei ao longo dos últimos 40 anos, a deterioração lenta, progressiva e inexorável do belo e imponente "Casarão do Visconde de São Lourenço", testemunho eloquente do Ciclo do Café refletido no Rio Colonial, sem que qualquer reação fosse sequer esboçada pelas autoridades incumbidas da tutela desse Patrimônio. Quem sabe, agora, com o Projeto da "Lapa Legal" o Prefeito Eduardo Paes, possa abraçar essa causa da recuperação, somando forças ao IPHAN, para em 2020, nos 200 anos do "Casarão", festejarmos todos esta conquista. Ganha a Cultura, ganha História. Ganham a Cidade, os Cariocas e os seus ilustres visitantes.
  Postado por: Paulo Nascimento - Arquiteto
  em: 2010-05-15 22:14:31

Prezado Leo, Sugiro o seguinte compartilhamento: http://www.skyscrapercity.com/showpost.php?p=29464738&postcount=390 Um abraço, prossiga em sua luta, que também é nossa, do RIO!
  Postado por: Paulo Nascimento - Arquiteto
  em: 2010-05-16 01:52:06

Muito obrigado Ana Cristina e Paulo pelos comentários e elogios! Sim, Paulo, a luta pelo casarão e pelo patrimônio histórico-cultural carioca é nossa! Contem comigo! Obrigado pelo link. Abraços, Leo Ladeira.
  Postado por: Leo Ladeira
  em: 2010-05-18 08:36:09

Gostei de sua luta pelo patrimônio histórico de sua cidade é um trabalho de formiguinha, mas só assim para sensibilizar os políticos representantes do povo para a necessidade desta salvaguarda não só no Rio de Janeiro, mas em todo o Brasil! Se não cuidarmos do nosso patrimônio não teremos passado e nem futuro com brasileiros! Seremos um retalho de costumes importados, mais ainda sim não deixaremos de ser retalhos, não seremos o todo. Em tempo gostaria que você me esclarecesse uma dúvida, que foi a Baronesa de Bambui que cita no artigo. Alexandre Belo Horizonte 18/12/2010
  Postado por: Alexandre
  em: 2010-12-18 23:28:57

Gostei de sua luta pelo patrimônio histórico de sua cidade é um trabalho de formiguinha, mas só assim para sensibilizar os políticos representantes do povo para a necessidade desta salvaguarda não só no Rio de Janeiro, mas em todo o Brasil! Se não cuidarmos do nosso patrimônio não teremos passado e nem futuro com brasileiros! Seremos um retalho de costumes importados, mais ainda sim não deixaremos de ser só retalhos, não seremos o todo. Em tempo gostaria que você me esclarecesse uma dúvida, quem foi a Baronesa de Bambuí que você cita no artigo. Alexandre Belo Horizonte 18/12/2010. Mandei-te esta mensagem acima pedindo uma informação e não mandei o e-mail para contato, sendo ele: babelcafe@ig.com.br Belo Horizonte 23/12/2010
  Postado por: Alexandre!
  em: 2010-12-23 10:51:36

Excelente este site.Atualmente, se sabe onde ficava o casarão onde funcionava o asilo na Rua dos Inválidos?
  Postado por: Ronaldo Morais
  em: 2011-05-04 14:06:48

Amei!! Queria saber mais... Parabéns!
  Postado por: maria cristina
  em: 2011-08-29 00:51:01

constantemente passo pela rua dos Invalidos e fico impressionado com o descaso das pessoas responsaveis pela seguranca dos transeuntes naquele local. O Solar do Visconde de Sao lourenco, ou o que resta dele, esta prestes a cair. O local, em determinados momentos,esta cheio de pedestres cirulando. Tragedia anunciada.
  Postado por: Dias
  em: 2012-02-04 18:29:26

Achei a matéria muito boa e enriquecedora. Gostaria de saber onde ficava o cartório onde Dilermando de Assis matou o filho de Euclides da Cunha, que tentara vingar a morte do pai. Ademar Rodrigues ademarrodrigues@yahoo.com.br
  Postado por: Ademar Rodrigues
  em: 2012-08-10 20:21:56

Adorei! É uma rua que sempre me chamou atenção pelas construções antigas de que gosto muito. Principalmente sobre o cortiço, estive lá há uns sete anos. Bom artigo, gostei de saber um pouco da história e origem deste local que adoro.
  Postado por: Viviane Teotonio
  em: 2014-02-22 13:28:28

Sr. Leo Ladeira, Gostei muito do texto, ainda mais que se trata da casa de meu penta avô, Targini. Não sei porque você não deixa copiar, pois tudo ai você também copiou de algum lugar. Afinal os pesquisadores anteriores não proibiram fazer cópias de suas pesquisas.Se for sempre assim, a cultura e o conhecimento não se expande,
  Postado por: Maria Sylvia Nogueira de Toledo
  em: 2014-03-01 16:56:15

Um povo sem memória não existe. Parabéns por recuperar a história da Rua dos Inválidos e que possa servir de ponta pé para políticas públicas de preservação do que ainda resta de patrimônio histórico!!!!
  Postado por: Socorro Lima
  em: 2015-05-18 19:28:47

Boa tarde. Gostaria de saber informação sobre o cartório que havia na Rua dos Inválidos nas décadas 1920 e 1930.
  Postado por: Julio Mello
  em: 2016-02-01 13:09:00


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