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COLUNA PATRIMÔNIO HISTÓRICO
Leonardo Ladeira ladleo@gmail.com
Cine Palácio, projeto de Morales de Los Rios, está fechado há dois anos

rioecultura : Cine Palácio - Palácio da sétima arte à espera de seu destino : Coluna Patrimônio Histórico

Depois de quase 100 anos de funcionamento, o histórico Cine Palácio, na Rua do Passeio, Centro do Rio, está fechado à espera de um novo uso.

O tradicional cinema com fachada em estilo neomourisco fechou as portas em outubro 2008. Era um dos poucos cinemas remanescentes da era de ouro da Cinelândia, quando o footing na Rua do Passeio e entorno era feito por elegantes personagens da sociedade carioca.

Tombado pela Prefeitura do Rio de Janeiro, o Cine Palácio foi vendido pelo Grupo Luiz Severiano Ribeiro para o Hotel Ambassador, pertencente ao grupo Atlântico. Especula-se que, no lugar da tradicional sala de exibição, será construído um Centro de Convenções. Ainda não há data prevista para a reforma de adaptação do edifício.

Um Palácio da Sétima Arte

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Estréia do filme Grande Hotel, cine Palácio - 1933

No local onde hoje se encontra o Cine Palácio, funcionava, em 1901, o Cassino Nacional, cujo prestígio podia ser medido por suas 24 frisas, 28 camarotes e 716 cadeiras de plateia. Em 1906, foi erguido naquele local o Palace-Theatre, onde os filmes eram exibidos como acompanhamento dos números de palco.

Em 1929, o cinema passou a se chamar Palácio-Teatro, sendo completamente reformado por Francisco Serrador. Foi nesta sala que ocorreu a primeira exibição de um filme falado no Brasil: ‘Melodia da Broadway’, que estreou numa sessão especial para convidados em junho de 1929. O filme, conforme anunciavam os cartazes da época, era o primeiro “todo falado, todo cantado e todo dançado” da história. Francisco Serrador trouxe engenheiros da Western Electric Company para instalarem o novo sistema no Palácio.

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Porta do Cine Palácio

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O interior na década de 40

Em 1943, o espaço, já rebatizado com o nome de Cine Palácio, foi adquirido pela Companhia Brasileira de Cinemas e, em 1957, passou às mãos do Grupo Luiz Severiano Ribeiro.

Em 1979, o cinema foi dividido em duas salas.

A Fachada Neomourisca

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Cine Palácio antes da restauração

O Cine Palácio foi projetado em estilo neomourisco, em 1906, por Adolfo Morales de Los Rios, um dos maiores arquitetos da belle époque brasileira.

Na década de 70, a direção do Cine Palácio optou por tapar o lado frontal do edifício com lâminas de alumínio, que mascararam os detalhes decorativos e arquitetônicos originais, como balcões, arcos em ferradura, pináculos, vitrais, balaustrada, janelas e torres.

Em 2004, depois de 30 anos escondida, a fachada foi devolvida à cidade pela Azevedo Arquitetos Associados (AAA), empresa responsável pelo projeto de restauração do cinema histórico.

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Restauração Cine Palácio

Toda a superfície apresentava problemas: a argamassa estava trincada e solta em várias partes. Os balcões do segundo andar estavam bastante deteriorados, enquanto que os do primeiro andar já não mais existiam. Os ornatos estavam danificados e do conjunto original de 10 vitrais, apenas um restava, e mesmo assim encontrava-se quebrado e pintado de preto.

A argamassa foi trocada parcialmente. Foram executados moldes para todos os ornatos, como os pináculos, refeitos a partir de consultas a fotografias antigas. As esquadrias deterioradas também foram refeitas e serão pintadas com esmalte sintético acetinado na cor branco neve.

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Detalhes da obra

O telhado também foi contemplado: as telhas de amianto foram trocadas por telhas francesas (de cerâmica). Foi colocada ainda calha de cobre e um novo madeiramento.

O desenho dos vitrais, em formato geométrico, foi recuperado graças à restauração da única peça que havia sobrevivido. A restauração removeu a tinta preta que recobria o vitral, que serviu de modelo para as peças que ocuparam os demais vãos.



Morales de Los Rios, Pai do Ecletismo Brasileiro

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O autor da fachada do Cine Palácio nasceu em Sevilha, na Espanha, e estudou na Escola de Belas Artes de Paris. Adolfo Morales de Los Rios (1858 – 1928) foi o maior arquiteto da Belle Époque brasileira e um dos mais atuantes intelectuais de sua época.

Em 1889, Morales de Los Rios veio para o Brasil, radicando-se no Rio de Janeiro. Na então capital do país ele desenvolveu diversos trabalhos de vulto, principalmente de gosto eclético. O arquiteto participou do concursos de fachadas da Avenida Central, tirando o segundo lugar. Para a nova avenida, símbolo maior do progresso e da modernidade que o Governo tentava implementar no país, ele projetou 21 edifícios, dentre os quais a antiga Escola Nacional de Belas Artes (atual Museu Nacional de Belas Artes), o Supremo Tribunal Federal (atual Centro Cultural Justiça Federal), o edifício do Jornal O País e o Café Mourisco, entre outros.

Extremamente produtivo, Morales de Los Rios deixou quatro mil projetos de arquitetura, inúmeras aquarelas, gravuras, esculturas, monumentos e monografias sobre tecnologia da arte e renovação urbana do Rio de Janeiro. Foi um dos pioneiros do urbanismo no país, realizando um plano para a cidade de Teresópolis (RJ). É pai do engenheiro e arquiteto Adolfo Morales de Los Rios filho, autor do célebre trabalho “Grandjean de Montigny e a Evolução da Arte Brasileira” e do Palácio da Fiação da Exposição Internacional de 1922, pelo qual ganhou o grande prêmio.



Fontes de Consulta:
- Jornal Folha do Centro
- Revista Eletrônica Mais Passeio – Setembro 2004
- Acervo Grupo Luiz Severiano Ribeiro
- Blog Foi um Rio que Passou
- Site Memória Bravo Brasil
- Blog Saudades do Rio - O Clone
- Site Carmen Miranda
- Blog Rio Daily Photo
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Espero que não se transforme em templo religioso !? Nada contra nenhuma religião ,só que já esta na hora de transformar esses maravilhosos espaços em espaços Culturais mais diversos.... Parabéns por mais esta matéria. Acompanho e divulgo.
  Postado por: Anônimo
  em: 2010-11-19 10:52:09

Leonardo, sua coluna está maravilhosa. O Cine Palácio é uma jóia perdida e esquecida nas horas corridas dos novos tempos. Olhos apressados, virtuais e globalizados não se fixam na arte do passado. Não há tempo pra isso. Bobagem! Que delícia seria comprar um sorvete de casquinha e um saquinho de pipocas, de vestido esvoaçante abraçar meu amor e passar uma tarde assistindo filme antigo no lindo Cine Palácio...
  Postado por: Lu Mesquita
  em: 2010-11-19 12:58:10

LEO, FANTÁSTICA SUA MATÉRIA, É MUITO LEGAL SABER A HISTÓRIA DA NOSSA CIDADE E SEUS ESPAÇOS CULTURAIS.
  Postado por: Anônimo
  em: 2010-11-22 12:44:13

LEO,ADOREI SABER A HISTÓRIA DA TRAJETORIA DO CINE PALÁCIO.TOMARA QUE ELE TENHA UM DESTINO A ALTURA DA SUA BELEZA! MUITO LEGAL SUA MATÉRIA.
  Postado por: REGINA CAVALCANTI
  em: 2010-11-22 12:46:48

POR ESSES E OUTROS EXEMPLOS É QUE CONSIDERO O RIO DE JANEIRO A CIDADE MAIS BONITA DO BRASIL NAO SÓ EM TERMOS DO MEIO AMBIENTE, MAS ARQUITETONICOS! O CENTRO DO RIO FOI SALVO PELA PRAIA: SÃO PAULO E ONDE VIVO, BELO HORIZONTE, ESTÃO BOTANDO ABAIXO SUAS AREAS CENTRAIS PRA CONSTRUIR CAIXOTES OU ESTACIONAMENTOS!
  Postado por: MARCEL
  em: 2011-02-25 17:08:23

O CINEMA PODERIA TER MODIFICADO SUA PROGRAMAÇÃO TRADICIONAL POR MOSTRAS, FESTIVAIS,CICLOS ,CINEMA NACIONAL ETC.COMO FOI FEITO NOS CINES SÃO LUIZ DE FORTALEZA E DE RECIFE ,PERTENCENTES AO MESMO GRUPO.AQUI NO RIO DE JANEIRO FOI ACIONADA A SOLUÇÃO MAIS FACIL E AGRESSIVA.ACABAR COM O CINEMA, VENDENDO-O PARA UM HOTEL,QUE O TRANSFORMARÁ EM SALA DE CONVENÇOES. EM TEMPO,O GRUPO SEVERIANO RIBEIRO DEVE TER DINHEIRO SOBRANDO.QUATRO ANOS APÓS TER GASTO COM REFORMAS E RESTAURAÇÃO DA FACHADA ORIGINAL E MELHORIAS NO SEU INTERIOR, FECHOU O CINEMA .
  Postado por: LAHIRE MARINHO
  em: 2011-03-10 13:19:22


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