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COLUNA PATRIMÔNIO HISTÓRICO
Leonardo Ladeira ladleo@gmail.com
Quando se fala no bairro do Jardim Botânico, todo mundo pensa imediatamente no parque homônimo, que deu nome ao logradouro, e foi construído por D.João VI.



Mas no mesmo bairro existe outro parque que também merece ser visitado e conhecido por cariocas e turistas: o Parque Lage, um recanto de paz na Cidade Maravilhosa localizado aos pés do Morro do Corcovado.

Com uma área total de 93,5 mil m², o Parque Lage foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), em 14 de junho de 1957, como patrimônio histórico e cultural da cidade do Rio de Janeiro.

Origens

A história do Parque Lage data de 1811, quando Rodrigo de Freitas Mello e Castro adquire uma bela fazenda pertencente a Fagundes Varela, o Engenho de Açúcar Del Rei, às margens da lagoa, que depois seria batizada com seu nome.



Em 1840, o proprietário contratou John Tyndale, paisagista inglês, para reprojetar a fazenda, cujos jardins ganharam uma feição romântica, com traçados sinuosos e caminhos intrincados.

Em 1859, a propriedade foi adquirida pelo Comendador Antônio Martins Lage. É neste momento que recebe o nome de “Parque dos Lage”, o qual, mais tarde, no ano de 1900, passa a seus três filhos como herança.

Em 1913, a chácara é comprada pelo Dr. César de Sá Rabello, permanecendo como sua propriedade até o ano de 1920, quando o industrial Henrique Lage, neto de Antônio Martins Lage, consegue reaver a antiga propriedade da família.

Na década de 1920, Henrique deu início a sua remodelação, convidando o arquiteto italiano Mario Vodret como projetista do palacete que fora de seu pai. Amante das artes e, em particular, da música, Henrique apaixonou-se pela cantora lírica italiana Gabriella Besanzoni, considerada, na época, a maior contralto do mundo, vindo com ela se casar.

No ano de 1936, a esposa de Henrique Lage funda a Sociedade do Teatro Lírico Brasileiro e, em 1948, novos habitantes vêm morar na mansão: os sobrinhos-netos de Gabriella: a escritora Marina Colassanti e seu irmão, o ator Arduíno Colassanti, que lá viveram até a adolescência.



A esta época, Gabriella Besanzoni transformou a mansão num dos lugares mais efervescente da cultura do Rio de Janeiro. As festas eram freqüentadas até por galãs de Hollywood, como o ator Tyrone Power.

Entretanto, endividado com o Banco do Brasil, Henrique Lage precisou desfazer-se de parte de seu patrimônio. Entregou parte de seus bens ao banco como pagamento e, a outra, vendeu para empresários particulares. A fim de fazer sobreviver o Parque, foi tombado como patrimônio histórico e artístico com a ajuda do governador Carlos Lacerda.

Na década de 1960, a propriedade foi desapropriada e convertida em um parque público. No palácio funciona hoje a Escola de Artes Visuais do Parque Lage, criada em 1975 pelo Departamento de Cultura da Secretaria de Estado de Educação.

Atrações

Palacete (atual Escola de Artes Visuais do Parque Lage - EAV)



O Palacete, de um andar sobre porão elevado, se desenvolve em torno de um pátio central avarandado com piscina ao centro. Foi concebido à moda de atrium de uma casa romana. São notáveis os acessos laterais e frontais. Sua ornamentação, de influência italiana, é composta de mármores, azulejos e ladrilhos.

As pinturas decorativas dos seus salões foram assinadas por Salvador Paylos Sabaté, que cobriu de ouro as estrelas que decoram a parede e o teto do quarto de dormir de Besanzoni. O marido queria que ela se sentisse na Itália. O Palacete do Parque Lage já serviu de cenário para muitas cenas. Uma das festas da minissérie global “JK” foi gravada lá.

A famosa cena da piscina de “Macunaíma, o Herói sem Nenhum Caráter”, com Grande Otelo, foi filmada lá na piscina do casarão do parque. Glauber Rocha escolheu o Parque Lage para ser cenário de “Terra em Transe”, uma de suas obras-primas. Anos mais tarde, o cineasta foi velado lá.



Aquário
Construído em argamassa imitando rochas e troncos de árvores, o Aquário foi restaurado há pouco tempo e está funcionando a pleno vapor. Em pequenos aquários montados em suas paredes, vivem vários peixes, como Tilápias, Ciclídeos africanos, Pangassius Albino, Jóias, Neons e Carpas. Os visitantes entram na gruta e dão uma volta por ele.



Gruta
Próxima do Aquário está a gruta artificial, própria do estilo romântico. Ali foram gravadas inúmeras cenas de novelas e filmes.



Jardins
Os jardins do Parque Lage têm forma geométrica em alguns pontos, e sinuosa em outros. Possuem grande variedade de espécies arbóreas, como jequitibás, flamboyants, mangueiras, jaqueiras, amendoeiras, além do litchi, espécie rara originária da China, é de um imenso cipestre, o maior do Estado do Rio.



Café da Manhã
Dentro do belo casarão que abriga a Escola de Artes Visuais do Parque Lage fica o Café du Lage. Charmoso e aconchegante, ele disponibiliza suas mesas nos corredores que cercam a famosa piscina do casarão. Em algumas mesinhas, à beira da piscina, as pessoas sentam sobre almofadas que ficam no chão.

Ali é possível tomar um delicioso café da manhã nos finais de semana, sempre ao som de boa música. No menu estão pães artesanais, geléias caseiras, frutas frescas, queijo minas, café, chocolate e suco natural. É também servido brunch e almoço.



O café fica aberto de segunda a quinta, das 09:00h às 22:30h, e de sexta a domingo, das 09:00h às 17:30h.

Playground
O Parque também é um bom local para as crianças e para os praticantes de trilhas. Para os primeiros, há espaços com brinquedos como balanços, gangorras e escorregas e, para os desportistas, há uma trilha que leva ao Corcovado.

Curiosidades
* O banheiro de Gabriela Besanzoni era forrado de mármore rosa importado da Itália. Abriga uma imensa banheira esculpida em um único bloco de granito do Maciço da Tijuca.
* Apesar da exuberância dos jardins, Gabriella não costumava sair muito do casarão. Só deixava a casa para assistir espetáculos no Theatro Municipal, instalada na frisa número um.
* Os Lage eram anfitriões oficiais do Itamaraty para recepções a chefes de Estado e, para isso, tinham uma sala de jantar para 200 comensais sentados. O brilho das festas era garantido pelos 57 empregados, auxiliares por 34 jardineiros, que conviviam com 40 cachorros.
* Gabriella deixou o Brasil aborrecida com a pressão do presidente Getúlio Vargas, que ameaçava confiscar sua pensão. Ela realizou um concerto de despedida no Teatro Municipal de São Paulo, em 1945. Gabriella morreu vítima de uma doença pulmonar em Roma, sua cidade natal, aos 72 anos, já casada com o segundo marido, um militar italiano.

Por Leo Ladeira

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Fontes:
* Matéria A Extravagante Gabriella – Jornal do Brasil 18/06/1995 (Acervo Leonardo Ladeira).
* Guia da Arquitetura Eclética do Rio de Janeiro – Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro - 2000
* Guia Michelin do Rio de Janeiro – 1997
* Guia dos Bens Tombados Brasil – Maria Elisa Carrazzoni – 1987
* 10 motivos para ir ao Parque Lage – Ig Turismo
* Wikipédia

Crédito das Fotos: Alexandre Siqueira e Leo Ladeira.
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