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COLUNA PATRIMÔNIO HISTÓRICO
Leonardo Ladeira ladleo@gmail.com
Na última coluna “Patrimônio Histórico”, abordamos a evolução histórica da Quinta da Boa Vista. Hoje vamos conhecer especificamente a trajetória do antigo Paço de São Cristóvão, atual Museu Nacional, que, aos 192 anos, é a mais antiga instituição científica do Brasil e o maior museu de história natural e antropológica da América Latina.
rioecultura : Museu Nacional - Memórias do Primeiro Museu Brasileiro : Coluna Patrimônio Histórico

O Paço de São Cristóvão – a “Versalhes Tropical”

Conforme relatamos na última coluna ("Quinta da Boa Vista: Oásis de Lazer e Cultura"), o Paço de São Cristóvão nasceu quando o rico comerciante Elias Antônio Lopes cedeu sua propriedade a D.João VI, por ocasião da vinda da família real para o Brasil.

Como não possuía um aspecto condizível aos novos e ilustres moradores, a antiga chácara de Elias ganhou diversas reformas.

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Ilustração de Thomas Ender

A primeira foi efetuada de 1816 a 1821, pelo arquiteto inglês John Johnston, que projetou uma série de novas construções e melhorias na chácara, entre elas, quatro torreões em estilo neogótico (só o torreão norte foi construído), a ala sul e a escadaria principal de acesso ao edifício. Foi ele também quem instalou o portão monumental em sua entrada, presente de casamento dado a D.Pedro I e D.Leopoldina pelo Duque de Northumberland.

Com a Independência do Brasil, o Imperador D. Pedro I encarregou das obras do agora Paço Imperial o arquiteto português Manuel da Costa (1822-1826), posteriormente substituído pelo francês Pedro José Pezerát (1826-1831), creditado como autor do projeto em estilo neoclássico do edifício.

Além de concluir o trabalho, Pezerát fez o belo delineamento do parque, transformando a residência imperial na “Versalhes Tropical”. Francisco Pedro do Amaral, ex-aluno de Manoel da Costa, ficou encarregado das pinturas internas do palácio.

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Vista da Quinta com o Paço de São Cristóvão cerca de 1820

O Paço, que tinha apenas um torreão no lado norte da fachada principal, ganhou outro simétrico, no lado sul, e um terceiro pavimento começou a ser erguido sobre os dois já existentes.

Em 1850, o Diretor das Obras do Palácio Imperial, Manoel de Araújo Porto Alegre, determinou a reforma e uniformização da fachada do prédio. Paralelamente, projetou a escadaria de mármore e a capela nos fundos do segundo pátio (demolida em 1910).

Entre 1857 e 1861, o arquiteto, pintor e cenógrafo italiano Mario Bragaldi decorou vários dos aposentos interiores, como a Sala dos Embaixadores e a Sala do Trono.

Em 1889, com a Proclamação da República, os bens móveis existentes no Paço de São Cristóvão foram leiloados. O prédio foi desocupado para abrigar a primeira Assembleia Constituinte, que funcionou no pátio central do Palácio, sob uma cobertura metálica, até 1891. Um brasão imperial sobre um resplendor (ambos em relevo) foi removido do prédio para dar lugar às armas da República. O edifício da Quinta passou a ser de responsabilidade do Ministério da Fazenda.

No Paço de São Cristóvão morreu o infante Pedro Carlos, e nasceu seu filho, D.Sebastião, primeiro príncipe nascido nas Américas. Lá residiu e morreu a Imperatriz D.Leopoldina e nasceram dois futuros monarcas: D.Maria da Glória, depois D.Maria II de Portugal; e o Imperador D.Pedro II.

Também nasceriam e morariam no palácio todos os descendentes de D.Pedro I e D.Pedro II, inclusive a Princesa Isabel. A casa foi habitada também pelas outras imperatrizes do Brasil: D.Amélia de Leuchtenberg e D.Teresa Cristina.

O Museu Nacional

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D. Luís de Vasconcelos

Em 1784, o Vice-Rei D. Luís de Vasconcelos criou, no Rio de Janeiro, a "Casa de História Natural", que logo ficou conhecida pela população como a "Casa dos Pássaros"’. Era um pequeno museu de história natural que possuía em seu acervo aves empalhadas, diamantes de Minas, múmias de índios, coleções de etnografia brasileira, entre outras peças.

A casa abrigava também seres vivos, como jacarés, capivaras e um urubu-rei. Esse seria o embrião do Museu Nacional. A instituição funcionou no antigo Campo da Lampadosa, atual Av. Passos, até o ano de 1790. O acervo foi, então, espalhado por outros órgãos do governo.

Em 1813, a "Casa dos Pássaros" foi oficialmente extinta por meio de uma decisão assinada pelo Conde de Aguiar. A maior parte da coleção foi (provavelmente) transferida para a Academia Militar.

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Imagem de Debret, 1822, e foto de 1922

Criado por D.João VI em 1818, o Museu Nacional é a mais antiga instituição nacional dedicada à ciência geral. D.João ordenou que a Fazenda Pública adquirisse um palacete próximo ao Campo dos Ciganos, pertencente ao Barão de Ubá. O prédio seria restaurado e adaptado para sediar o então criado Museu Real.

Em 25 de junho de 1892, o Museu Nacional foi transferido da Praça da República para o Paço de São Cristóvão. Uma linha férrea provisória ligando o centro da cidade a São Cristóvão foi criada para o transporte do acervo.

Em 1914, com suas exposições inteiramente remodeladas, o Museu Nacional reabriu suas portas ao público. Antes de ser reaberto, o prédio passou por um período de quatro anos em obras, durante o qual foram ampliadas as salas de exposição e derrubadas paredes e mezaninos.

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Fachada atual, 2010

O Museu é uma unidade da Universidade Federal do Rio de Janeiro desde 1946 e ocupa uma área de 3800 m².

Em 1925, o cientista Albert Einstein visitou o Museu Nacional e plantou uma árvore de pau-brasil no jardim.

Duas salas do edifício dão uma pequena amostra dos tempos em que a família imperial morava ali - as salas do Trono e dos Embaixadores, que mantém a decoração original da época de D.Pedro II.

Acervo

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Meteorito Bedengó

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Artefatos Egípcios

Entre suas maiores preciosidades encontram-se o famoso meteorito Bendegó, de mais de cinco mil e 300 quilos, o maior já encontrado no hemisfério sul; várias múmias e estelas funerárias egípcias, esqueletos de preguiça-gigante, tigre-dente-de-sabre e de um dinossauro de mais de 170 milhões de anos, um modelo de peixe celacanto (em extinção), peças de cerâmica marajoara, uma concha de um molusco de 135 quilos, vasos de cerâmica grega, cerâmica pré-colombiana, animais empalhados e peças de valor etnográfico.

O acervo egípcio do Museu Nacional é o maior da América Latina e provavelmente o mais antigo das Américas. Os objetos foram arrematados em leilão pelo Imperador D. Pedro I, que os doou ao então Museu Real, fundado em 1818.

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Outro item do acervo que chama a atenção dos visitantes é a reconstituição da face de Luzia, a primeira brasileira de que se tem conhecimento nas pesquisas arqueológicas. Achada em 1975, no fundo de uma caverna de Minas Gerais, é o fóssil humano mais antigo das Américas, de 11.500 anos. Reconstituído, o crânio de Luzia foi exposto a partir de setembro de 1999 no Museu Nacional.

O Museu guarda ainda tesouros que ainda não foram expostos ao público, como uma figura de cerâmica em forma de mulher, encontrada em Santarém, no Pará, e relíquias do Egito antigo como a múmia batizada de A Belade Tebas. Outra relíquia importante é uma garrafa contendo cerca de oito litros de petróleo da primeira extração feita no Brasil, na Bahia, em 1931.

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No Museu são desenvolvidas atividades acadêmicas, como pós graduação em Antropologia, Arqueologia, Lingüística, Geologia, Paleontologia, Botânica e Zoologia. Suas dependências também abrigam as coleções científicas constituídas desde o início do século XIX, os laboratórios e gabinetes.

Restauração e Modernização

Em 1995, Em Seminário Franco-Brasileiro foram discutidas propostas de intervenção e modificação a serem feitas no prédio do Museu. A instituição, por meio do Instituto Herbert Levy, obtém recursos da Petrobrás e do Ministério da Cultura, e inicia obras de restauração do prédio. O Museu cria o Projeto Memória.

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Em 2009, depois de dois anos de obras e muitas pesquisas históricas, a fachada frontal e os torreões norte e sul do Museu Nacional voltaram a revelar a cor original da construção, o amarelo ocre, usado na época de D.João VI.

Segundo matéria do jornal O Globo, a arquiteta e historiadora da arte Maria Paula van Biene, que integra a equipe da instituição, contou que uma das referências para encontrar o tom foi o álbum "Viagem pitoresca e histórica ao Brasil", do pintor Jean-Baptiste Debret, além de relatos de viajantes como Maria Graham, que definiu o palácio como de “cor amarela, com molduras brancas”.

No total, foram restaurados 3.300 metros quadrados, o que representa menos de um terço da área total da fachada.

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Segundo a mesma matéria, além da cor, foram resgatados materiais originais. Na restauração, orçada em R$ 1,2 milhão, foram usadas argamassa e tinta à base de cal, para privilegiar a preservação do revestimento e da estrutura do prédio. A obra da fachada contou com o patrocínio da Petrobras, por meio da Lei Rouanet.

Também na parte interna da instituição estão sendo realizadas reformas e restaurações, não só do prédio em si, mas das exposições.

Jardim das Princesas

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Na ala direita do Palácio Imperial, com acesso fechado ao público, localiza-se uma das preciosidades do Museu: o gracioso Jardim das Princesas, um bucólico terraço formado por bancos de pedra ornados por conchas e cacos de pratos de porcelana, além de uma gruta.

Pouco se sabe a respeito da origem do Jardim. Diziam que ali brincavam as filhas do Imperador, daí o nome “Das Princesas”. O arquiteto Augusto Carlos da Silva Telles arrisca a hipótese de que o Jardim das Princesas é obra do paisagista francês Auguste Glaziou, que executou uma reforma nos jardins da Quinta da Boa Vista.

A arqueóloga Maria Beltrão descobriu no recosto de um dos bancos no Jardim das Princesas uma inscrição rabiscada na argamassa, apenas com a data 29 de julho de 1852. É a data de aniversário de seis anos da Princesa Isabel, o que comprova que as princesas imperiais realmente brincavam naquele espaço.

Por Leo Ladeira.
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SERVIÇO
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Endereço: Quinta da Boa Vista, s/n
São Cristóvão - Rio de Janeiro / RJ
CEP 22000-000
Telefone: (21) 2264-8262 / 2562-6900
Website: www.museunacional.ufrj.br
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Funcionamento: De 3ª feira a domingo, das 10h às 16h
Ingresso: R$3 (maiores de 65 anos e menores de 6 anos não pagam)
R$ 1 para crianças entre 6 e 10 anos
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Agendamento de visitação:
Para grupos escolares
(21) 2562-6923 / 2562-6924
(horário comercial de 2ª a 6ª feira)
Maiores informações pelo e-mail sae@mn.ufrj.br
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Fontes de Consulta:

• Projeto da Nova Exposição do Museu Nacional/UFRJ - Arquitetura & Design. Escritório Técnico-Científico. Museu Nacional/UFRJ. Setembro de 2002
• As Barbas do Imperador. Lília Moritz Schwarcz / Companhia das Letras / SP / 1998
• Museu Nacional volta a ter as cores originais – Jacqueline Costa – O Globo online - 29/09/2009
• Museu Nacional guarda tesouros escondidos - Cristiane Pepe, Jornal do Brasil - 01/05/2010
• Jardim das Princesas pode ser criação de Glaziou – Wilson Coutinho – O Globo:1995.
• Guia da Arquitetura Colonial, Neoclássica e Romântica no Rio de Janeiro. Editora Casa da Palavra. 2000
• O Rio de D.João VI – Uma Memória Preservada? Monografia de conclusão do curso de Comunicação Social – Leonardo Ladeira – 1995.
• O primeiro mosaico em terras brasileiras: a obra da Imperatriz - mosaicosdobrasil.tripod.com
• Guia Michelin do Rio de Janeiro
• Home Page do Museu Nacional
• Fotolog Rio de Fotos
• Wikipédia

Fotos no interior do Museu Nacional: Leo Ladeira e Gustavo Nardelli Fotos Jardim das Princesas: Leo Ladeira
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manuela vitoria - eu queria ver mais.
  Postado por: manuela vitoria
  em: 2015-03-23 19:47:19

chato
  Postado por: edu
  em: 2015-03-27 13:56:48


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