rioecultura rioecultura
Facebook Twitter Pinterest Picasa Instagram
EXPOSIÇÕES EVENTOS LOCAIS CULTURAIS COLUNISTAS ARTIGOS MATÉRIAS NOTÍCIAS INSTITUCIONAL COLABORADORES CONTATO
TRANSLATE THIS WEBSITE
COLUNA PATRIMÔNIO HISTÓRICO
Leonardo Ladeira ladleo@gmail.com
Azulejos são placas de barro cozido, quase sempre quadradas, tendo uma face esmaltada com motivos decorativos. Eram usados na arquitetura islâmica para o revestimento de fachadas e pavimentação de pisos.

rioecultura : A Arte do Azulejo : Coluna Patrimônio Histórico
foto www.ceramicanorio.com.br

­ O vocábulo azulejo provém do árabe, de “alzuleicha”, que significa pedra polida ou pedra cintilante. O nome não tem necessariamente relação com a cor azul, apesar da maioria ser efetivamente azul, já que o uso do azulejo é anterior à predominância da cor azul.

A Azulejaria é uma das expressões mais originais da arte portuguesa. Foram os mouros quem introduziram a técnica da azulejaria na Península Ibérica. As antigas referências aos azulejos na Península Ibérica utilizam o termo “louça de barro vidrado”.

Azulejaria Brasileira

rioecultura : A Arte do Azulejo : Coluna Patrimônio Histórico

A maior parte da azulejaria encontrada no Brasil é de origem portuguesa. Os melhores exemplares podem ser encontrados na Bahia, Pernambuco e Maranhão. Durante os séculos 17 e 18, os azulejos foram intensamente empregados em sacristias de igrejas e palácios.

No século 19, os azulejos são usados no revestimento externo de residências nobres. A azulejaria assegurava às paredes uma proteção a mais contra a umidade dos trópicos. No início do século XX, a azulejaria caiu em desuso, sendo rejeitada pelos arquitetos racionalistas, que a viam como mero objeto decorativo.

Nos anos 20, o estilo neocolonial resgata o uso de azulejos. Foi o arquiteto franco-suíço Le Corbusier quem percebeu as possibilidades plásticas da azulejaria, quando do projeto de construção do Ministério da Educação e Saúde, no Rio.

rioecultura : A Arte do Azulejo : Coluna Patrimônio Histórico

rioecultura : A Arte do Azulejo : Coluna Patrimônio Histórico

Le Corbusier dizia a seus jovens discípulos brasileiros que os recursos do passado não deveriam ser desprezados e sim adaptados ao espírito do momento. Assim, nomes como Lúcio Costa, Oscar Niemeyer e Affonso Reidy voltam a utilizar a azulejaria em seus projetos.

A azulejaria seria também utilizada por artistas contemporâneos como Carybé, Djanira, Portinari, Poty, Burle Marx, Francisco Brennand e Mario Zanini. O painel de Portinari da igreja de São Francisco de Assis, na Pampulha, Belo Horizonte, é de 1944.

No Brasil, o azulejo foi usado também no revestimento de igrejas, como a de Nossa Senhora da Lapa do Desterro, no Rio. A igreja foi construída no século 18 e acabou dando nome ao bairro da Lapa. Anexo à igreja funcionava um seminário, que mais tarde seria destruído por um incêndio.

rioecultura : A Arte do Azulejo : Coluna Patrimônio Histórico

rioecultura : A Arte do Azulejo : Coluna Patrimônio Histórico

Uma das preciosidades desta igreja são os azulejos que cobrem as torres, considerados de padrão português raro, do final do século 19. Os azulejos da igreja e do seminário da Lapa encantavam o poeta Manuel Bandeira, que morava nas redondezas.

A partir do século 19, os azulejos passam a ser aplicados na cobertura de fachadas de residências nobres brasileiras. O uso dos ladrilhos era então considerado sinal de status e prosperidade.

As pedras cintilantes asseguravam também uma proteção a mais contra a umidade excessiva dos trópicos. No Rio, vários sobrados revestidos de azulejos foram tombados pelo Patrimônio Histórico.

Um deles foi o casarão onde morou o General Osório, herói da Guerra do Paraguai, situado na antiga rua Mata-Cavalos, atual rua do Riachuelo.

rioecultura : A Arte do Azulejo : Coluna Patrimônio Histórico

O General, que morava no Sul do país, foi convidado pelo imperador Dom Pedro II para assumir o Ministério da Guerra. Até o ano de sua morte, em 1879, o General Osório viveu na casa da rua Mata-Cavalos. O casarão era freqüentada não só pelo imperador, mas também por toda a corte.

A Casa de Osório se tornou museu em 1983, após um longo trabalho de restauração. Também foi restaurada a fachada da casa, revestida por azulejos portugueses raros. As peças danificadas foram substituídas por réplicas perfeitas. Hoje no Museu funciona a Academia Brasileira de Filosofia.

Os Azulejos no Neocolonial

Com a República, os azulejos caem em desuso. Os arquitetos da época achavam que eles eram mero recurso decorativo. A partir da década de 20, o estilo neocolonial vai fazer uma reinterpretação do estilo colonial e resgatar o uso do azulejo.

Um exemplo de arquitetura neocolonial no Rio é a casa do Museu do Açude. O museu era a antiga residência de verão do industrial Raimundo Castro Maya. Castro Maia era apaixonado pelas artes e foi um dos fundadores do Museu de Arte Moderna do Rio. Sua antiga casa de campo, em meio à Floresta da Tijuca possui em seu acervo uma das mais importantes coleções de mobiliário brasileiro dos séculos 18 e 19.

rioecultura : A Arte do Azulejo : Coluna Patrimônio Histórico

rioecultura : A Arte do Azulejo : Coluna Patrimônio Histórico

O museu oferece também uma das mais ricas coleções de painéis de azulejos portugueses no Brasil. São mais de vinte painéis decorados por azulejos dos séculos 17, 18 e 19, trazidos de Lisboa, Maranhão e Salvador. Os azulejos se espalham por toda a casa, podendo ser encontrados nos bancos do jardim, nas mesas até na antiga piscina.

Os Azulejos na Arte Moderna

Com o advento da arquitetura moderna, vários arquitetos voltam a incluir os azulejos em seus projetos.

Foi o que aconteceu, por exemplo, com o Palácio Capanema, antigo Ministério da Educação e Cultura, no Centro do Rio. Construído entre 1937 e 1945, o Palácio Capanema é considerado marco da arquitetura moderna brasileira. O projeto foi assinado por uma equipe formada por jovens arquitetos da época, que incluía Lúcio Costa, Oscar Niemeyer e Affonso Reiddy, entre outros.

rioecultura : A Arte do Azulejo : Coluna Patrimônio Histórico

O grande destaque do antigo MEC são os sete painéis de azulejos desenhados por Cândido Portinari. O uso de azulejos por Portinari foi considerado na ocasião uma atitude revolucionária. Para compor os painéis, Portinari se baseou no mar, que um dia já chegou bem perto dali. Assim, o que se vê são peixes, conchas, sereias e outros elementos marinhos.

No Brasil, o emprego da azulejaria na arte contemporânea acontece nos trabalhos de artistas como Djanira, Poty, Caribé, Carlos Scliar, Brennand, entre outros.

Um dos melhores exemplos é o painel “Santa Bárbara”, da pintora Djanira, executado em 1963, em homenagem às dezoito vítimas de um acidente durante a construção do Túnel Santa Bárbara, no Rio. Inicialmente o Painel foi instalado numa pequena Capela localizada em uma gruta em cima do túnel, tendo lá permanecido por 20 anos.

rioecultura : A Arte do Azulejo : Coluna Patrimônio Histórico

Em 1984, face as suas precárias condições decorrentes de infiltrações e umidade, o Painel foi retirado para ser recuperado e reinstalado num local a ser posteriormente definido pelas autoridades. Hoje o painel faz parte do acervo do Museu Nacional de Belas Artes.

-----------------------------------------------------------------
Fontes de Consulta:
* "Azulejos no Brasil" - Mário Barata
* Site Cerâmica no Rio [WWW.CERAMICANORIO.COM]
* "Arquitetura Religiosa Barroca no Brasil" - Germain Bazin
* "Atlas dos Monumentos Históricos e Artísticos do Brasil" - Augusto Carlos da Silva Telles
* Acervo Leo Ladeira
compartilhe subir a página
Postagens

Julio Biar [MPB]

Leo Ladeira [Patrimônio Histórico]

Marcelo Aouila [Teatro]

Seu nome:

Comentário:

Observação:
Verifique o texto antes de enviá-lo, pois não será possível modificá-lo ou apagá-lo após o registro.

ATENÇÃO: O seu comentário não será postado automaticamente. Ele passará por uma aprovação antes de ser publicado.



Algumas fotos e parte do texto desta matéria foram usadas indevidamente sem autorização do detentor dos direitos Renato Wandeck responsável pelo site www.ceramicanorio.com
  Postado por: Renato Wandeck
  em: 2010-04-20 17:34:54

gostei mas gostariadesaber como foi a chegada dosajulezos nestes lugares
  Postado por: gabriel biel
  em: 2011-04-01 15:32:58

Perdão, mas nem os azulejos da Casa de Osório, nem os da Igreja da Lapa, nem o da foto da bica no museu do Açude são portugueses. Na Casa de Osório e na bica no museu do Açude são holandeses. Na Igreja da Lapa foram aplicados provavelmente no início do séc XX.
  Postado por: Fábio Carvalho
  em: 2016-03-06 14:39:26


Dados do(a) amigo(a):
Nome:
E-mail:
Mensagem:

Seus dados:
Seu nome:
Seu e-mail:
  voltarsubir
© Copyright 2008-2013 Rio&Cultura
SIMETRIA Arte e Comunicação desenvolve este site

Clicky Web Analytics
Rio&Cultura