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COLUNA PATRIMÔNIO HISTÓRICO
Leonardo Ladeira ladleo@gmail.com
rioecultura Coluna Patrimonio Historico Palacete do Visconde do Rio Seco

Depois de permanecer fechado durante décadas, o palacete do Visconde do Rio Seco, a mais antiga construção da Praça Tiradentes, abriga atualmente o Centro Sebrae de Referência do Artesanato Brasileiro (CRAB). Após funcionar parcialmente em 2014, quando apresentou a exposição "A Potência do Objeto", o CRAB foi enfim inaugurado em 22 de março de 2016.

O conjunto arquitetônico do CRAB é formado por três edifícios históricos contíguos - além do palacete do Visconde foram restaurados também os prédios vizinhos, de nº 69 e 71, totalizando aproximadamente 4.000m² de área recuperada.

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As obras de restauração e o projeto de interiores, assinados pela dupla Lucas Franco e Camila Furloni, do M&T Mayerhofer & Toledo Arquitetura, duraram dois anos e custaram R$ 20 milhões. Foi necessário um minucioso trabalho para manter as características originais, tanto na parte externa quanto na área interna do prédio.

Antes do CRAB, o imóvel havia sido ocupado por 60 anos pelo Detran. Nesta época, pátios internos foram fechados, paredes derrubadas e divisórias instaladas para que lá funcionassem os escritórios do órgão. Em 1996, o prédio encontrava-se praticamente em ruínas e o telhado chegou a desabar.

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Hoje a realidade do espaço é outra. Ocupando três pavimentos e um pátio interno, o CRAB dispõe de setes salas expositivas, além de loja, restaurante, midiateca, terraço, auditório e salas para cursos.

O principal objetivo do espaço é expor produções brasileiras, além de promover debates e cursos sobre o tema, contribuindo para a qualificação do artesanato nacional.

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Estátuas em Terracota

Um dos destaques do palacete são as quatro estátuas do século XIX, localizadas originalmente sobre as platibandas do edifício, e que representam a Sabedoria, a Indústria, a Agricultura e a Medicina. As peças, em terracota, possuem 2,10m de altura e pesam aproximadamente 600 kg. As esculturas foram feitas pela empresa alemã Villeroy & Boch, responsável também pelos ladrilhos hidráulicos do piso do solar.

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Na restauração, verificou-se que duas das quatro estátuas, as da Justiça e da Indústria, encontravam-se em situação delicada e, por isso, tiveram que ser substituídas por réplicas no alto do solar. As duas originais estão expostas ao público no andar térreo do palacete.

A restauração do velho solar representa um importante capítulo na revitalização desta que é uma das regiões mais representativas na vida e na formação da personalidade carioca: a Praça Tiradentes.

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A recuperação do imóvel integra-se à prática que já é uma realidade em todo o mundo: a requalificação e transformação de centros históricos degradados em polos culturais e turísticos.


Cronologia de um Palacete

Final do Século XVIII - Construção do edifício, na esquina do antigo Largo do Rossio com o Caminho Novo do Conde (hoje Rua Visconde do Rio Branco). Pertencia ao presidente do Senado da Câmara, Antonio Petra de Bittencourt.
1812 - Adquirido por Joaquim José de Azevedo (primeiro Barão, depois Visconde do Rio Seco, e em seguida Marquês de Jundiaí), para ser sua residência. Azevedo veio com a corte para o Brasil, como tesoureiro da Casa Real. O palacete realiza festas e bailes que se tornaram memoráveis no Império.
1817 - O palacete é retratado por Thomas Ender.
rioecultura Coluna Patrimonio Historico Palacete do Visconde do Rio Seco 1817
1836 - Com a morte do Visconde, em 1835, é adquirido em leilão pelo Comendador José Ferreira Carneiro.
rioecultura Coluna Patrimonio Historico Palacete do Visconde do Rio Seco 1840
1851 - É adquirido pelo também comendador Francisco Pinto da Fonseca, que o aluga para sede do Clube Fluminense em 1853.
1853 a 1876 - Funciona como sede do Clube Fluminense, sendo frequentado por personalidades como Machado de Assis.
rioecultura Coluna Patrimonio Historico Palacete do Visconde do Rio Seco 1869
1876 - Passa a abrigar a Secretaria de Estado e dos Negócios do Interior.
1889 - Após a Proclamação da República, passa a ser sede do Ministério da Justiça.
1892 - Abriga as Secretarias da Justiça e do Interior, a Secretaria da Instrução Pública e a Secretaria da Junta Comercial da Capital.
rioecultura Coluna Patrimonio Historico Palacete do Visconde do Rio Seco 1910
rioecultura Coluna Patrimonio Historico Palacete do Visconde do Rio Seco 1928
1934 - Passa a abrigar o Departamento de Trânsito, sucessivamente, do Distrito Federal e dos Estados da Guanabara e do Rio de Janeiro. Com a ocupação do Detran, pátios internos foram fechados, paredes derrubadas e divisórias instaladas para que lá funcionassem os escritórios do órgão.
1994 - O Detran deixa o edifício.
1996 - Em ruínas, o telhado chega a desabar. O edifício apresenta rachaduras de até um metro na fachada.
1997 - O então prefeito do Rio, Luiz Paulo Conde, e o então governador, Marcello Alencar, apresentam projeto de abrigar, no palacete, o acervo cultural do antigo BANERJ.
1998 - Em junho, o edifício, que já era tombado nas instâncias municipal e estadual, recebe tombamento federal por sua importância histórica e tipologia arquitetônica.
2000 - O prefeito Conde apresenta projeto de abrigar no edifício o acervo particular do colecionador Sergio Fadel, uma das mais importantes coleções particulares de arte brasileira.
2007 - O edifício é cedido ao Sebrae.
2014 - Parcialmente concluído, o Centro Sebrae de Referência do Artesanato Brasileiro (CRAB) apresenta a exposição "A Potência do Objeto". Com o término da exposição, em 26 de julho, são retomadas as obras.
2016 - Inaugurado o CRAB.

SERVIÇO

Endereço: Praça Tiradentes 67, 69 e 71, Centro, Rio de Janeiro
Horários: Terça a sábado (10h às 17h)
Entrada gratuita.

Texto e pesquisa: Leo Ladeira.

Fontes de Consulta:
- Site www.crab.sebrae.com.br
- Site www.mtarquitetura.com.br
- Site Biapó
- Centro de artesanato ocupa casarões históricos na Praça Tiradentes. O Globo: 27/03/2016.
- Site Foi Um Rio Que Passou
- Blog Rio de Janeiro Desaparecido - por Cau Barata (Carlos Eduardo de Almeida Barata)
- Blog Diretório Monárquico do Brasil
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Excelente artigo, com informações muito preciosas. Sou colecionador e possuo duas estátuas Villeroy & Boch semelhantes em meu acervo. Achei fantásticas as fotos mostradas na cronologia. Muito interessante a que data de 1840, onde as preciosas estátuas já aparecem. Aproveito para levantar uma questão sobre as duas estátuas, também assinadas pela Villeroy & Boch,que adornam a entrada do Jardim Sensorial no Jardim Botânico do Rio de Janeiro. O site do JBRJ não faz menção a elas e, inclusive em outros sites ou blogs, não é dado o devido valor à elas, são colocadas como simples "estátuas de mármore retratando as deusas Ceres e Diana". Acho lamentável, pois trata-se de uma informação cultural importante. Meus parabéns pelo detalhado texto rico em informações. Abraço
  Postado por: Wallace Gomes
  em: 2017-09-08 19:14:57


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