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COLUNA PATRIMÔNIO HISTÓRICO
Leonardo Ladeira ladleo@gmail.com
rioecultura Coluna Patrimônio Histórico Vista Chinesa é devolvida à cidade inteiramente restaurada
A restauração da Vista Chinesa recuperou a estrutura e os elementos artísticos do pagode (Foto atual: Blog O Rio de Janeiro Que eu Amo. Demais fotos: Blogs e Fotologs diversos)


Um dos locais mais aprazíveis e bucólicos do Rio de Janeiro, o mirante da Vista Chinesa foi devolvido à população da cidade inteiramente restaurado, depois de 110 anos de sua inauguração.

A restauração ocorreu em 2013, e durou oito meses, num investimento de 417 000 reais.

Vamos conhecer hoje a história desse famoso ponto turístico carioca e saber detalhes de sua restauração.

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Rugendas documentou o cultivo de chá pelos chineses na região do Horto, no século XIX


O Rancho dos Chins, o chá e a imigração chinesa no Rio de Janeiro

Você já se perguntou por que o mirante da Rua Dona Castorina, na Estrada que liga o Horto ao Alto da Boa Vista, possui a forma de pagode chinês?

A origem está na imigração chinesa no Rio de Janeiro, ocorrida na primeira metade do século XIX. D.João VI queria incentivar o cultivo do chá no Brasil e, para isso, mandou buscar cerca de 300 chineses da colônia portuguesa de Macau, trazidos entre 1812 e 1819, pelo Conde de Linhares. Estes imigrantes, que trouxeram mudas e sementes de chá, estabeleceram-se inicialmente nas encostas da mata dos fundos da região do Jardim Botânico. Ali chegaram a plantar seis mil pés de chá. O pintor alemão Johann Moritz Rugendas, durante sua primeira viagem ao Brasil, entre 1821 e 1825, documentou a plantação chinesa de chá no Jardim Botânico do Rio, publicando a gravura em seu livro "Viagem pitoresca através do Brasil" (figura acima). Apesar dos esforços do Governo Real, o cultivo de chá fracassou. Muitos chineses deixaram a plantação e estabeleceram-se em outros locais da cidade, onde passaram a trabalhar como vendedores ambulantes e cozinheiros.

Em 1844, uma nova leva de chineses foi trazida ao Rio. Desta vez o objetivo era desenvolver a cultura do arroz. Mas, assim como aconteceu com o chá, os chineses não conseguiram fazer vingar em terras cariocas o cereal. A solução encontrada foi empregá-los na abertura do caminho que mais tarde se transformaria na Estrada Dona Castorina.

Segundo relato do escritor José de Alencar, esses trabalhadores construíram seu rancho no meio do caminho, no local que passou a ser conhecido como ‘Rancho dos Chins’ (ou Casa dos Chinas): “(...) Ao cabo de algumas braças derrama-se por uma pequena esplanada, que serve como de rampa ao magnífico cenário. Aí, à esquerda, no socalco do caminho, está a palhoça onde pousavam os colonos, que abriram o caminho do Jardim e deram nome ao sítio, conhecido a princípio o lugar pela simples indicação de Rancho dos Chins (...)”

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Desenho (esboço) do pavilhão da Vista Chinesa realizado por Luis Rey


A Vista Chinesa de Pereira Passos (1903)

Baseado na história do local, o Prefeito do Rio de Janeiro, Pereira Passos, em seu programa de embelezamento da cidade, no início do século XX, resolveu construir, em uma das curvas da Estada D. Castorina, um pavilhão que homenageasse os antigos colonos chineses. O pavilhão foi projetado por Luis Rey e concebido em argamassa na forma de bambu. O mirante foi inaugurado em 12/10/1903.

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Características

O pagode é vazado, com colunas dispostas em hexágono, encimadas, em cada uma, por uma cabeça de dragão (gárgula). Acima, além da cobertura de telhas, há uma pequena claraboia, também coberta, tendo no alto a mesma decoração.

Situado em uma saliência do terreno, a 380 metros de altitude, o mirante descortina uma vista deslumbrante, vendo-se o Cristo Redentor de costas, além de parte de Botafogo, do Pão de Açúcar e da Baía de Guanabara, tendo ao fundo os morros de Niterói. Também se vê o bairro da Gávea, a Lagoa Rodrigo de Freitas, o Arpoador, Ipanema, Leblon e as ilhas costeiras. Próximo ao monumento encontram-se monjolos e quaresmeiras.

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Foto: Veja Rio


A Restauração

Em 2013, foi iniciada a primeira restauração da Vista Chinesa, em 110 anos de história. O monumento encontrava-se então em estado crítico. Os pilares de sustentação de ferro estavam corroídos em decorrência da exposição à umidade.

“O local já estava descaracterizado e apresentava desgaste. Por isso, fizemos a recomposição das figuras, da forma e da cor. Trouxemos a originalidade do monumento e garantimos a preservação do mesmo”, disse a arquiteta Vera Dias, gerente de Monumentos e Chafarizes da Secretaria Municipal de Conservação.

O processo de reestruturação do Pagode da Vista Chinesa foi feito em três etapas: decapagem (remoção da coloração preexistente), recuperação de toda a estrutura dos trechos danificados, além da pintura com tinta à base de cal. Para garantir a integridade histórica das peças, amostras do material foram levadas para um laboratório para que fosse produzida argamassa com características mais próximas do original.

Um dos principais destaques dessas melhorias foi a restauração manual de várias partes da obra. O estilo rocaille, que é um gênero de ornamentação usado na França no reinado de Luís XV, exigiu um trabalho minucioso. As cores originais que imitam elementos da natureza, neste caso o bambu, foram recuperadas. Com isso, o tom amarelado do pagode deixou de ser utilizado.

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Gárgula, antes e depois da restauração (Antes: Leo Ladeira. Depois: Blog O Rio de Janeiro Que eu Amo)


Em estrita obediência ao projeto original, os técnicos produziram de forma quase artesanal a argamassa do revestimento. Na composição, utilizaram água de uma nascente da Floresta da Tijuca, pois o líquido deveria ser extremamente puro e sem cloro.

O trabalho de recuperação do mirante contou com a participação de restauradores, engenheiros e historiadores, responsáveis pela pesquisa de reconstituição da peça.

Além da reforma do monumento, a Secretaria Municipal de Conservação e Serviços Públicos, fez serviços de recapeamento das estradas Dona Castorina e da Vista Chinesa com sinalização voltada para o compartilhamento da via e maior segurança dos ciclistas que utilizam muito o local.

Em 26 de outubro de 2013, a Vista Chinesa foi entregue totalmente reformada aos cariocas e turistas.

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Curiosidade

A Vista Chinesa já foi registrada em diversos filmes e novelas de Televisão. Um dos mais recentes registros é a animação “Rio”, de Carlos Saldanha.

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Turistas admiram e fotografam a paisagem da Vista Chinesa (Foto: Leo Ladeira)


Serviço e Acesso

Visitar a Vista Chinesa é um ótimo passeio para as manhãs ensolaradas do fim de semana. O mirante está inserido no setor Serra da Carioca do Parque Nacional da Tijuca. É um dos locais mais procurados do Rio para a prática de esportes como ciclismo, corrida e caminhada.

Recentemente, a via de acesso à Vista Chinesa ganhou sinalização que destaca o compartilhamento entre ciclistas e veículos nesse trecho de cinco quilômetros, a fim de aumentar a segurança dos atletas. Foram instalados ainda totens com mapas e informações sobre localização e altitude e quatro totens indicativos de ‘zona 30’, que mostram as áreas em que os motoristas não podem ultrapassar os 30 km/h.

É mais recomendável visitar o mirante aos finais de semana, quando é maior o número de turistas. Durante a semana o local não é tão visitado, embora os ciclistas frequentem a estrada diariamente.



SERVIÇO

Quando: Funciona todos os dias, das 8h às 17h e até às 18h no horário de verão.
Onde: Estrada da Vista Chinesa, S/N - Parque Nacional da Tijuca.
Como chegar: O melhor e mais rápido caminho é pelo bairro do Jardim Botânico (seguir a Rua Pacheco Leão e em seguida, entrar na Rua Dona Castorina). Para subir caminhando, o visitante deve pegar um ônibus da linha 409 e descer no ponto final, no Horto, e seguir pela estrada até entrar no Parque Nacional da Tijuca. Quem vem da região da Tijuca ou Barra, pode-se pegar a Rua da Boa Vista ou Estada das Furnas e chegar à Vista Chinesa pelo outro lado.

Fontes de Consulta
* Alencar, José de - Sonhos d´oro
* Site Foi um Rio que Passou
* Site O Guia Legal
* Fotolog SoRio
* Blog O Rio de Janeiro que Eu Amo
* Portal da Prefeitura do Rio de Janeiro
* Veja Rio - Uma obra de arte. Monumento da Vista Chinesa passa pela mais completa reforma em seus 110 anos, que exigiu precisão cirúrgica. por Ernesto Neves | 21 de Agosto de 2013.
* Portal Ciência & Vida - Migração Chinesa: Chineses no Rio de Janeiro
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Parabéns pelo lindo trabalho, que nos proporciona, é uma bela viagem, pelo nosso Rio. Obrigado.
  Postado por: wilson borges
  em: 2015-09-18 19:01:01


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