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COLUNA PATRIMÔNIO HISTÓRICO
Leonardo Ladeira ladleo@gmail.com
Homenagem a uma das expressões máximas da arte colonial brasileira

rioecultura Coluna Patrimônio Histórico: Memorial Mestre Valentim

Valentim da Fonseca e Silva, o Mestre Valentim, foi um dos maiores artistas do período colonial brasileiro. O artista teve papel fundamental no desenvolvimento do Rio de Janeiro naquele período, construindo chafarizes e fontes que abasteciam de água a população carioca e as embarcações que ancoravam no cais da cidade.

Valentim se notabilizou pelo traço rococó, deixando uma expressiva produção em igrejas e capelas do Rio de Janeiro.

Grande parte da obra de Valentim ainda pode ser vista no Rio, como os chafarizes da Pirâmide (Praça XV), das Saracuras (atualmente na Pça.Gen.Osório, em Ipanema), e do Lagarto (no Catumbi), além de trabalhos nas igrejas de São Francisco de Paula, Santa Cruz dos Militares, N.S.da Conceição e Boa Morte, Mosteiro de São Bento e Ordem Terceira do Carmo.

Mestre Valentim é autor também do projeto original do Passeio Público do Rio de Janeiro, o primeiro jardim público da cidade e do país. (Ver mais informações sobre o Passeio Público no site http://www.passeiopublico.com).

Vamos conhecer hoje um espaço no Rio que homenageia este grande artista brasileiro: o Memorial Mestre Valentim, localizado no interior do Jardim Botânico.

rioecultura Coluna Patrimônio Histórico: Memorial Mestre Valentim


Um dos maiores destaques artísticos do Passeio Público do Rio de Janeiro é o Chafariz dos Jacarés, fonte abastecida no passado pelo Chafariz da Carioca, por intermédio de canos subterrâneos. Localizada na extremidade do jardim, a fonte é composta por um largo tanque de cantaria e por peças em bronze, fundidas por Mestre Valentim na Casa do Trem. O Chafariz dos Jacarés, também conhecido como Fonte dos Amores, foi construído em um pequeno outeiro artificial formado de pedras presas por plantas e arbustos. Sobre as pedras se encontravam pousadas três aves pernaltas que jorravam água pelos bicos. Na base, dois jacarés entrelaçados lançavam água pelas bocas para um grande tanque. Completava o conjunto um coqueiro de ferro, descrito por vários viajantes que visitaram a cidade no período colonial.

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Em 1905, as aves pernaltas do Chafariz dos Jacarés (chamadas também de garças, saracuras ou íbis) foram levadas para o Jardim Botânico do Rio de Janeiro, a pedido do então diretor da instituição, João Barbosa Rodrigues. Quando levadas para o Jardim Botânico, as aves pernaltas, fundidas separadamente em liga de bronze, foram alojadas inicialmente no edifício do Museu Botânico, ocupando em seguida o Lago de Lótus e o prédio da diretoria do parque.


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Hoje, as aves pernaltas integram o Memorial Mestre Valentim, instalado na antiga estufa das violetas do Jardim Botânico. O Memorial, inaugurado em 1997, foi criado para dar maior proteção e condições de conservação às peças originais de Mestre Valentim, como as estátuas de Eco e Narciso e as esculturas das aves pernaltas.

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As estátuas que representam a ninfa Eco e o caçador Narciso e que faziam parte do conjunto do Chafariz das Marrecas (imagem acima), foram confeccionadas em 1785, por Mestre Valentim, em cantaria, com partes fundidas em liga de estanho e chumbo. Com a demolição do Chafariz das Marrecas, em 1896, as estátuas de Eco e Narciso foram transferidas para o Jardim Botânico, pelo diretor Barbosa Rodrigues. Hoje, as esculturas originais de Eco e Narciso também estão guardadas no Memorial Mestre Valentim.

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Segundo pesquisadores, a estátua do Caçador Narciso pode ter sido inspirada em uma estampa do período Luís XV, pois a peça assemelha-se à figura de um pajem.


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Já em relação à estátua da Ninfa Eco, há teorias que defendem que Mestre Valentim pôde ter se inspirado em um modelo vivo para compor a escultura, que foi também chamada de Ceres, Oréade ou Náiade.


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Mestre Valentim

Assim como o mineiro Aleijadinho, era bastardo, filho de mãe escrava, mestiço, pobre, e uma das expressões máximas da arte colonial brasileira.

Nascido em 1745, provavelmente no distrito diamantino de Vila do Príncipe (atual município do Serro), em Minas Gerais, Mestre Valentim realizou toda sua obra no Rio de Janeiro, na segunda metade do século XVIII. Ainda criança foi levado pelo pai para Portugal, onde iniciou seus estudos de escultura.

Por ter sido inovador em muitos trabalhos, Mestre Valentim pode ser considerado um artista revolucionário. Sua obra divide-se em escultura, torêutica, arquitetura, paisagismo, urbanismo, prataria, ourivesaria, bronzagem e desenho. Valentim se notabilizou pelo traço rococó, deixando uma expressiva produção em igrejas e capelas do Rio de Janeiro, assim como em praças e espaços públicos, para onde criou chafarizes.

O artista também merece destaque por ter sido o primeiro a empregar em sua obra elementos da fauna e flora nacional.

No dia primeiro de março de 1813, Valentim morre em sua casa, na Rua do Sabão, onde também funcionava sua oficina. O artista é enterrado na Igreja de N.S.do Rosário e São Benedito, da qual era membro. Apesar de seu prestígio, Valentim teria morrido paupérrimo e nada foi encontrado em sua casa.



Fotos recentes do Memorial Mestre Valentim: Leo Ladeira.

Fontes de Consulta

* Site Passeio Público (www.passeiopublico.com.br)
* Terra Carioca - Fontes e Chafarizes - Coleção Memória do Rio. Magalhães Correia.
* Mestre Valentim - Anna Maria Fausto Monteiro de Carvalho.
* DORIA, Escragnolle. O Chafariz das Marrecas. Revista da Semana, RJ, 27/11/1937.
* ABREU, Maurício. Evolução Urbana do Rio de Janeiro. RJ: Jorge Zahar, 1987.
* MARIANO FILHO, José. Os três chafarizes de Mestre Valentim. RJ: C.Mendes Júnior, 1943.
* Site Jardim Botânico
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