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Tela com o desenho da bandeira do Brasil é roubada de igreja no Rio
quinta-feira, 19 de agosto de 2010
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Um tesouro da arte e da nossa história desapareceu da Igreja Positivista do Brasil, no Rio de Janeiro. A tela com o desenho da bandeira do Brasil.

Ruínas da nossa história: assim está o prédio da Igreja Positivista do Brasil. Apesar do nome, o lugar nunca foi um templo religioso. Desde o fim do século XIX, os positivistas se reuniam no local para debater ideias. Em 2009, o teto desabou depois de chuvas fortes. Mas na fachada ainda se lê o lema do grupo: "O amor por princípio, e a ordem por base. O progresso por fim".

Também estava guardado no local o modelo da bandeira da república brasileira (de 1889), tal como a conhecemos hoje. Mais de 120 anos depois, foi roubado, na noite de 27 de abril de 2010. Era uma tela do pintor Décio Villares. Estava em uma caixa de madeira, protegida por um vidro. O ladrão entrou no prédio, desatarraxou os parafusos e levou a relíquia da nossa história. E, o que é pior: o prédio, tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico do Rio de Janeiro, pode vir abaixo.

O Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) informou, na tarde desta quarta-feira [18.08.10], que vai usar verbas do orçamento da União para obras emergenciais na Igreja Positivista, na Glória, Zona Sul do Rio, onde criminosos roubaram o protótipo da bandeira do Brasil, criado em 1889. O Iphan conseguiu autorização da Procuradoria Federal.

A denúncia do furto foi feita no jornal O Globo desta quarta-feira. O modelo da bandeira nacional, uma relíquia, foi criada por Raimundo Teixeira Mendes. A obra de grande valor foi parar nas mãos de criminosos.

Segundo o Iphan, entre as reformas previstas está o escoramento do prédio e o conserto do telhado. Um arquiteto já esteve no local. O teto da igreja ficou destruído depois da queda do telhado, em março de 2009. Desde estão, ela está fechada para visitação. Apesar das imagens de destruição dentro dele, o prédio é tombado pelo Patrimônio Histórico estadual.

O Instituto Nacional do Patrimônio Cultural (Inepac) informou que em maio de 2009 já tinha sido feita uma vistoria no prédio e que foi solicitado à direção da igreja um relatório com as obras necessárias para a recuperação do local. Entretanto, segundo o Inepac, até o momento não houve resposta.

>> ABANDONO <<

O abandono pode apagar registros de parte da história da criação da República. A Igreja Positivista foi fundada em 1881 e serviu de abrigo para reuniões dos intelectuais que idealizaram a Proclamação da República. O prédio foi o primeiro do Rio com eletricidade. Cadeiras usadas na época estão quebradas.

A destruição de parte do imóvel já acontece há bastante tempo. Em 2009, tempestades fizeram desabar o teto da igreja. O que sobrou recebe chuva e se deteriora com o tempo. Entre as relíquias estão dezesseis mil livros e também as telas pintadas por Décio Vilares.

A tela a óleo da bandeira do Brasil ficava em uma moldura de vidro. O ladrão desparafusou a tampa e tirou a imagem. Ele também levou mais seis quadros. O roubo foi registrado na 9ª DP (Catete).

Cristiane Tavares, que costumava receber visitantes e contar parte da história da República, se emociona ao ver a igreja destruída: “Eu fotografei isso tudo para ter de acervo. Eu não consigo entrar aqui, eu não consigo”, disse ela, sem conseguir terminar a frase.

>> TOMBAMENTO FEDERAL <<

De acordo com o Iphan, há também um pedido de tombamento federal em análise no Ministério da Cultura. Quando for aprovado, esta vai ser uma forma de preservação permanente deste patrimônio.

O ministro da Cultura, Juca Ferreira, determinou que a Biblioteca Nacional estude uma forma de ajudar na conservação da Igreja Positivista. A fundação aguarda um contato da direção da igreja para que técnicos façam uma vistoria no local.

Fonte: G1 [18.08.2010]

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