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O Instituto Moreira Salles lança a segunda edição da revista serrote
terça-feira, 4 de agosto de 2009
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O Instituto Moreira Salles lança a segunda edição da revista serrote, uma publicação quadrimestral de ensaios sobre temas atuais, literatura e artes. A serrote # 2 traz um caderno de 16 páginas, impresso em papel couchet, com desenhos e pinturas em nanquim, carvão e guache sobre papel de Philip Guston, artista americano influenciado pelas histórias em quadrinhos. O pintor Paulo Pasta selecionou os trabalhos de Guston e, em um ensaio introdutório, fala de sua transição do abstracionismo à figuração e à simplificação gráfica. Segundo Pasta, a nova fase de Guston, iniciada em 1967, poderia ter sido uma resposta ao pop art, já que com um trabalho artesanal e direto, o artista se distanciou das imagens usadas pela indústria, o que acontecia com frequência na escola pop. Essa mudança de estilo poderia ser entendida, de acordo com Pasta, como uma espécie de caminho do puro ao impuro, e revela, em Guston, a própria vontade de se sujar.

serrote traz ainda um segundo caderno especial de 16 páginas, também impresso em papel couchet, com a polêmica obra 18 de outubro de 1977, do artista Gerhard Richter. A obra, adquirida pelo MOMA de Nova York, foi inspirada em fotografias da imprensa que mostravam as mortes e o enterro dos militantes do grupo terrorista alemão Baader-Meinhof (ligado à RAF, Fração do Exército Vermelho). A versão oficial de que os terroristas se suicidaram não desfez a suspeita de assassinato pelas mãos do Estado.

Neste número, a revista quadrimestral do Instituto Moreira Salles publica o clássico ensaio do jornalista, escritor e crítico de cinema James Agee sobre os heróis da comédia no cinema mudo. O poeta W.H.Auden considerava Agee a melhor coisa que a imprensa americana publicava na década de 1940. Publicado pela Life, “A grande era da comédia” foi um dos textos de maior repercussão em toda a história da revista. Sobre Charles Chaplin, o grande nome da comédia do cinema mudo, a serrote # 2 traz um texto de 1926 do jornalista vienense Alfred Polgar, que considerava Chaplin um “libertador”; uma “tira” desenhada pelo artista dos móbiles Alexander Calder a propósito de “Em busca do ouro”; e um de seus retratos que ainda permanecia inédito, feito pelo grande fotógrafo Richard Avedon. O bloco sobre os comediantes do cinema ainda traz um documento raro: o manifesto “O grouchismo”, lançado por Antonio Cândido na revista Clima, em agosto de 1941.

A seção “Visão periférica” traz o texto de Jean Hatzfeld, o jornalista especializado em Ruanda, que mostra a difícil convivência entre as etnias hutu e tútsi, depois do genocídio de 1994. Um ensaio fotográfico de Jonathan Torgovnik, da revista Newsweek, também impresso em papel couchê, mostra as mulheres que foram violentadas durante o genocídio e os filhos que nasceram dos atos de estupro em série.

serrote # 2 inaugura duas seções: “Contraluz”, na qual um escritor fabula sobre uma das fotos do rico acervo do Instituto Moreira Salles. Neste primeira edição, Bernardo Carvalho escreve o conto “Um homem de letras”, sobre foto de Carlos Moskovics. “Valise” é uma seção dedicada aos relatos de viagem de grandes escritores. A seção é inaugurada com o texto “Já estivemos em Lisboa, sem jamais ter estado”, do catalão Enrique Vila-Matas.

A ciência também passar a ser tema da quadrimestral. A neurologista e escritora americana Alice W. Flaherty, ela mesma uma bipolar, é autora do texto “O incurável mal da escrita”, sobre a compulsão para escrever que aproxima escritores como Dostoievski e Flaubert daqueles que sofrem epilepsia do lobo temporal.

No ensaio de maior fôlego, o escritor argentino Ricardo Piglia expõe a sua “Teoria do Complô”, uma original reflexão sobre arte e política. serrote # 2 publica ainda um texto de John Updike sobre uma de suas grandes paixões, os quadrinhos, e traz desenhos que o escritor americano que faleceu este ano fez para a revista “Harvard Lampoon”. Gore Vidal escreve sobre um de seus heróis, Tarzan, de Edgar Rice Borroughs. Aproveitando que Gisele Bündchen foi escolhida como a modelo mais importante da história da moda, a revista republica um ensaio de Rodrigues Naves (“A moça mais bonita terra”).

Compõem o “Alfabeto serrote” desta edição os verbetes arroba e nota, escritos por Daniel Soar e José Miguel Wisnik. A “Carta aberta” foi enviada por Groucho Marx aos irmãos Warner, a respeito da utilização do nome Casablanca no filme “Uma noite em Casablanca”.

Revista serrote #2 / 224 páginas / R$ 29,90

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